Senador defende ministros contrários ao aborto e às drogas, promete priorizar a segurança jurídica e não descarta a presença do ex-presidente na composição de sua equipe.

O senador Flávio Bolsonaro apresentou parte de suas propostas para um eventual governo federal, com destaque para a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), o posicionamento dos futuros ministros sobre questões sociais e a possibilidade de participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua administração.
Durante a entrevista, Flávio afirmou que pretende adotar critérios ideológicos e jurídicos na escolha dos integrantes da mais alta Corte do país. Entre as características mencionadas estão posições contrárias ao aborto e às drogas, além do compromisso com a segurança jurídica.
“Vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça com ninguém”, declarou.
O senador também defendeu a necessidade de recuperar a credibilidade do Supremo, apontando esse objetivo como uma das prioridades na escolha de eventuais indicados.
Indicações ao Supremo Tribunal Federal
A possibilidade de influenciar a composição do STF foi um dos principais assuntos abordados na entrevista. Flávio Bolsonaro mencionou a perspectiva de indicar quatro ministros durante um eventual mandato presidencial, considerando uma vaga ainda não preenchida e outras três que, segundo ele, poderiam surgir ao longo do período.
O senador evitou antecipar nomes. Segundo ele, a divulgação prematura de possíveis indicados poderia provocar exposição pública e questionamentos antes mesmo de uma indicação oficial.
Ao explicar o perfil desejado, afirmou que buscaria pessoas que considera patriotas e comprometidas com a recuperação da segurança jurídica e da confiança na instituição.
A escolha dos ministros do STF é uma atribuição do presidente da República, mas depende da aprovação do Senado Federal. Por isso, eventuais indicações precisam passar pela análise dos parlamentares antes da nomeação.
Quatro vagas podem alterar a composição da Corte
A projeção apresentada por Flávio considera a vaga aberta após a saída de Luís Roberto Barroso e as aposentadorias compulsórias previstas para Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030.
Caso as quatro indicações se concretizem, o próximo presidente poderá nomear mais de um terço dos 11 integrantes do Supremo. O cenário representa uma possibilidade de mudança significativa na composição da Corte, embora as nomeações dependam dos procedimentos constitucionais e da aprovação do Senado.
Jair Bolsonaro poderia integrar eventual governo
Outro momento da entrevista envolveu o futuro político de Jair Bolsonaro. Questionado sobre a possibilidade de o pai ocupar um ministério, Flávio afirmou que ainda não havia discutido o assunto diretamente com o ex-presidente.
Apesar disso, reconheceu a influência de Jair Bolsonaro em sua trajetória e disse que continua recorrendo aos conselhos do pai em suas decisões políticas.
Ao ser perguntado se abriria espaço para o ex-presidente na administração federal, respondeu que a possibilidade dependeria da vontade dele.
A declaração não representa um convite formal nem a definição de um cargo. Além da decisão pessoal, uma eventual nomeação precisaria observar a situação jurídica de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista.
Escala 6×1 também entrou na discussão
A entrevista abordou ainda o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um.
Flávio evitou declarar como votaria em uma eventual deliberação no Senado. Em vez disso, defendeu uma proposta baseada na flexibilização da jornada, com maior liberdade para o trabalhador definir quantas horas deseja trabalhar, mantendo os direitos previstos na Constituição.
A discussão envolve questões como remuneração, limites da jornada, proteção trabalhista e impactos para empregadores e empregados.
Relação entre Executivo, Congresso e Judiciário
As declarações também evidenciam a importância que Flávio atribui à relação entre os Poderes em um eventual governo. A composição do STF, a participação do Senado na aprovação dos ministros e a possibilidade de mudanças institucionais estão entre os temas presentes no debate eleitoral.
O senador tem defendido alterações no funcionamento do Supremo, incluindo restrições a decisões individuais de ministros e uma revisão das competências da Corte. Essas propostas, quando dependentes de mudanças constitucionais, precisam ser discutidas e aprovadas pelo Congresso Nacional.
As posições apresentadas por Flávio Bolsonaro integram o debate sobre os rumos do Judiciário e a estrutura de um possível governo a partir de 2027. A concretização das propostas dependerá do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e das condições políticas e jurídicas para sua implementação.