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Chikungunya dispara 343% em Goiás e dengue passa de 108 mil casos; Wolbachia vai chegar a Aparecida e Trindade

Goiás confirmou 11.311 casos de chikungunya e 108.673 de dengue em 2026. Com as chuvas, a SES-GO intensifica o combate ao Aedes aegypti e prepara o método Wolbachia em Aparecida de Goiânia e Trindade.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Ação de combate ao Aedes aegypti, mosquito da dengue e da chikungunya, em Goiás
Foto: Iron Braz/SES-GO

Estado já confirmou 108,6 mil casos de dengue em 2026; com a volta das chuvas, a SES-GO reforça o combate ao mosquito e prepara a chegada do método Wolbachia a Aparecida de Goiânia e Trindade

Goiás chega ao período chuvoso com um sinal de alerta aceso: os casos confirmados de chikungunya em 2026 já somam 11.311, um salto de 343% em relação ao mesmo período do ano passado. A dengue também avança, com 108.673 casos confirmados, alta de 17%. Os números foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) na sexta-feira (16/10), ao anunciar a intensificação das ações contra o Aedes aegypti, mosquito que transmite as duas doenças e também o vírus zika.

A preocupação é com o que vem pela frente. Com as chuvas de outubro, água parada em vasos, pneus, calhas e garrafas vira berçário para o mosquito. Por isso, o recado da secretaria é direto: cada morador precisa eliminar os criadouros dentro de casa e no quintal antes que a temporada de chuvas ganhe força.

“O enfrentamento ao Aedes exige um esforço conjunto entre Estado, municípios e população”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos.

Chikungunya preocupa mais

A chikungunya costuma assustar menos que a dengue, mas deixa marcas. A doença provoca febre alta e dores fortes nas articulações, que em parte dos pacientes duram semanas ou até meses e atrapalham tarefas simples, como segurar um copo ou subir uma escada. O crescimento de 343% em um ano mostra que o vírus encontrou espaço para circular no Estado.

Na dengue, o aumento de 17% sobre 2025 mantém o Estado em patamar elevado, com mais de 108 mil confirmações em pouco mais de nove meses. Quem tiver febre, dor no corpo, dor atrás dos olhos ou manchas na pele deve procurar a unidade de saúde mais próxima e evitar remédios por conta própria.

O que o Estado está fazendo

Segundo a SES-GO, o trabalho é feito em parceria com as prefeituras e reúne monitoramento, controle químico e capacitação. Veja os principais números:

  • Ovitrampas: 5.736 armadilhas que capturam ovos do mosquito estão instaladas em 104 municípios, o que ajuda a mapear onde o Aedes está mais presente.
  • Estações disseminadoras de larvicida: 3.278 foram distribuídas em 2026, sendo 2 mil para Caldas Novas. O próprio mosquito leva o larvicida para outros criadouros.
  • Equipamentos: 20 unidades de fumacê veicular (UBV), 372 pulverizadores costais manuais e 709 nebulizadores costais motorizados.
  • Insumos: 2.840 sachês de Fludora, 8.468 unidades de BTI e 14.900 litros de Cielo.
  • Capacitação: 592 profissionais de 161 municípios já foram treinados, o equivalente a 86% da meta.

Wolbachia chega à Região Metropolitana

Uma das apostas para os próximos anos é o método Wolbachia. Nele, mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, apelidados de Wolbitos, são soltos no ambiente. Eles cruzam com os mosquitos locais e passam a bactéria para as gerações seguintes, que ficam com menor capacidade de transmitir dengue, zika e chikungunya. Segundo a SES-GO, o método não usa produtos químicos e os mosquitos não são geneticamente modificados.

Valparaíso de Goiás e Luziânia foram os primeiros municípios goianos a receber a estratégia, em 2025. Em Anápolis, a implantação começou na segunda-feira (5/10), com dispositivos previstos para mais de 5 mil pontos da cidade. Aparecida de Goiânia e Trindade estão em fase de preparação. A iniciativa é financiada pelo Ministério da Saúde, com apoio da Fiocruz e da Wolbito do Brasil, e o efeito esperado aparece em pelo menos dois anos.

“A gente precisa trabalhar saúde pública com evidência”, disse a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, durante a cerimônia em Anápolis. Mesmo com os Wolbitos, os cuidados de sempre continuam necessários.

Vacina: segunda dose está atrasada para muitos adolescentes

A vacina contra a dengue (Qdenga) está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses. Goiás já aplicou 402.915 doses, mas a cobertura da primeira dose está em 54,84%. E há outro problema: 39,91% de quem tomou a primeira dose está com a segunda em atraso. Sem as duas doses, a proteção fica incompleta. Pais e responsáveis devem conferir a caderneta e levar os filhos à unidade de saúde.

O que fazer em casa

  • Reserve dez minutos por semana para vistoriar quintal, área de serviço e varanda.
  • Mantenha caixas-d’água, tonéis e cisternas bem tampados.
  • Coloque areia nos pratinhos de plantas e limpe calhas e ralos.
  • Guarde garrafas de boca para baixo e não deixe pneus expostos à chuva.
  • Abra a porta para os agentes de combate às endemias, que circulam identificados.

Acompanhe o Uai Notícias Goiás para saber mais sobre a saúde no Estado e compartilhe esta matéria com quem precisa da informação. Com o tempo instável, veja também: Goiás tem 78 municípios em alerta para tempestades neste domingo.

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