Rio Verde lidera exportações de Goiás, que passam de US$ 10 bilhões até setembro; soja responde por metade
Goiás exportou US$ 10,7 bilhões de janeiro a setembro de 2026 e fechou o período com superávit de US$ 6,2 bilhões. Rio Verde respondeu sozinho por um quarto das vendas ao exterior.
Estado vendeu US$ 10,7 bilhões ao exterior de janeiro a setembro e acumula superávit de US$ 6,2 bilhões; China comprou 43% de tudo o que saiu de Goiás
Goiás fechou os nove primeiros meses de 2026 com US$ 10,704 bilhões em exportações e US$ 4,461 bilhões em importações, o que deixou um saldo positivo de US$ 6,243 bilhões na balança comercial. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) na quarta-feira (14/10) e mostram, mais uma vez, o peso do Sudoeste goiano: Rio Verde, sozinho, respondeu por US$ 2,7 bilhões, ou 25,6% de tudo o que o estado vendeu ao exterior no período.
Só em setembro, Goiás exportou US$ 1,018 bilhão e importou US$ 430 milhões, com superávit mensal de US$ 588 milhões.
Soja e carne puxam as vendas
O complexo soja (grão, farelo e óleo) continua sendo o carro-chefe da pauta goiana: foram US$ 5,4 bilhões, o equivalente a 50,59% das exportações do estado. Em seguida aparecem as carnes, com US$ 2,2 bilhões (20,91%). Dentro desse grupo, a carne bovina sozinha representou 16,23% de tudo o que Goiás exportou, e os embarques de carne de aves cresceram 24,94% na comparação com o mesmo período de 2025.
A mineração também ganhou espaço. As ferroligas somaram US$ 708 milhões (6,62%), e os minérios de cobre chegaram a US$ 617 milhões (5,77%), com alta de 79,97% em relação a 2025. É esse movimento que explica a presença de Alto Horizonte, no Norte goiano, entre os maiores exportadores do estado.
Sudoeste na frente
No ranking dos municípios exportadores, Rio Verde aparece muito à frente dos demais. Jataí, também no Sudoeste, vem em segundo lugar, com 7,8% das vendas externas, o que corresponde a algo perto de US$ 835 milhões. Completam a lista dos cinco primeiros Alto Horizonte (6,52%), Mozarlândia (5,82%) e Palmeiras de Goiás (3,71%).
A força das duas cidades vem da combinação de lavouras de grãos em grande escala com indústrias de processamento de soja e de carnes instaladas na região. Na prática, boa parte do que sai de Goiás para a China e para a Europa passa por esmagadoras, frigoríficos e armazéns do Sudoeste.
No caminho inverso, as importações se concentram em polos industriais. Anápolis respondeu por 44,68% das compras externas do estado, seguida por Catalão (19,5%), Aparecida de Goiânia (13,79%) e Goiânia (10,61%). São cidades com fábricas de medicamentos, veículos e máquinas que dependem de peças e insumos vindos de fora.
China compra quase metade
A China segue como principal cliente de Goiás, com US$ 4,6 bilhões em compras, ou 43,19% do total exportado. Bem atrás aparecem Estados Unidos (6,49%), Espanha (3,86%), Países Baixos (3,36%) e Canadá (2,76%).
Para o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna Braga Filho, o resultado mostra que o estado mantém o fôlego no mercado internacional. “Os resultados confirmam a capacidade de Goiás de gerar valor e manter sua competitividade no cenário global”, afirmou, ao destacar que Goiás superou a marca de US$ 10 bilhões em exportações no acumulado do ano.
Como fica na comparação com 2025
Pelas contas do Uai Notícias Goiás, feitas a partir dos números oficiais do próprio governo estadual, as exportações de janeiro a setembro de 2026 ficaram cerca de 3,4% acima das do mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 10,35 bilhões. As importações, porém, cresceram mais rápido: saíram de US$ 3,99 bilhões para US$ 4,46 bilhões, alta próxima de 12%. Por isso, o superávit acumulado ficou um pouco menor que o de 2025, que havia chegado a US$ 6,36 bilhões.
O mês de setembro também veio mais fraco que o do ano passado. Em setembro de 2025, as vendas externas haviam somado US$ 1,19 bilhão, com saldo positivo de US$ 700,5 milhões, acima dos US$ 588 milhões registrados agora.
O que isso significa para você
- Emprego no interior: exportação forte sustenta vagas em frigoríficos, esmagadoras, transportadoras e armazéns, principalmente no Sudoeste.
- Dependência da China: com 43% das vendas concentradas em um único país, qualquer mudança na demanda chinesa mexe com a renda do campo goiano.
- Frango em alta: o crescimento de quase 25% nos embarques de carne de aves reforça o papel das granjas e indústrias de processamento do estado.
Os próximos números, com o resultado de outubro, devem sair no início de novembro, quando o governo federal divulga os dados mensais do comércio exterior por estado.
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