Golpe do falso advogado: Polícia Civil faz buscas em Aparecida de Goiânia; veja como o golpe funciona e como se proteger
Agentes cumpriram dois mandados nesta segunda-feira (19/10) e apreenderam aparelhos eletrônicos para perícia. Na semana passada, a polícia registrou casos com prejuízo de até R$ 1 milhão em Goiás.

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Aparecida de Goiânia na manhã desta segunda-feira (19/10) contra suspeitos de aplicar o golpe do falso advogado, fraude em que o criminoso se apresenta como defensor da vítima, diz que ela ganhou uma ação na Justiça e cobra um pagamento para “liberar” o dinheiro. A operação foi coordenada pela 5ª Delegacia de Polícia da cidade. Os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, que vão passar por perícia. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
A ação acontece poucos dias depois de a própria Polícia Civil soltar um alerta à população. Na sexta-feira (16/10), a corporação informou que registrou, em uma única semana, casos em que o prejuízo das vítimas chegou a R$ 1 milhão em Goiás. Segundo a PCGO, os golpistas estão cada vez mais convincentes porque usam dados verdadeiros dos processos.
Médico perdeu R$ 500 mil
Um dos casos mais graves aconteceu em Anápolis. Um médico da cidade perdeu cerca de R$ 500 mil depois de cair na conversa de um falso advogado. De acordo com a Polícia Civil, os criminosos tinham reunido uma quantidade grande de informações sobre a vítima, o que deu credibilidade à história. Três suspeitos foram presos em Fortaleza, no Ceará.
Em Aparecida, a mesma 5ª Delegacia que fez as buscas desta segunda já tinha prendido um homem de 36 anos suspeito de se passar pelo advogado de uma vítima. O caso foi registrado em janeiro, e o prejuízo foi de R$ 9,9 mil.
Entenda como o golpe funciona
O alvo é quem tem algum valor para receber na Justiça, como indenização, precatório ou causa trabalhista. O roteiro, segundo a polícia, costuma ser este:
- O criminoso consulta informações de processos e descobre o nome da vítima, o número da ação e até o nome do advogado verdadeiro.
- Ele entra em contato por telefone, WhatsApp ou e-mail, se apresenta como advogado ou funcionário do escritório e diz que a causa foi ganha e o dinheiro está disponível.
- Para parecer real, envia documentos falsificados, como alvarás e decisões judiciais.
- Em seguida, cobra uma suposta taxa, custa ou imposto para liberar o valor, quase sempre por Pix, e pressiona para que o pagamento seja feito rápido.
- Em alguns casos, pede CPF, endereço, dados bancários e até senhas.
A pressa é a principal arma do golpista. Quem espera há anos pelo fim de um processo tende a acreditar na boa notícia e a pagar sem conferir.
Como se proteger
- Desconfie de contato inesperado, principalmente de número novo dizendo ser do seu advogado.
- Ligue você mesmo para o advogado ou o escritório, usando o telefone que você já tinha antes, e confirme a história.
- Confira o andamento do processo na consulta pública do site do tribunal responsável pela ação.
- Não pague nada para liberar dinheiro. Custas processuais de verdade são recolhidas por guia oficial, direto para os cofres públicos, e nunca por Pix para conta de pessoa física.
- Não passe senhas, códigos ou dados bancários por telefone, mensagem ou link.
Caiu no golpe? Veja o que fazer
Se já fez a transferência, o primeiro passo é procurar o banco imediatamente, pelos canais oficiais, para contestar a operação e pedir o bloqueio dos valores. No caso do Pix, o banco pode acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para tentar recuperar o dinheiro enviado em golpes; quanto mais rápido o pedido, maior a chance.
Depois, guarde prints das conversas, os comprovantes e os números usados pelos golpistas e registre boletim de ocorrência na Polícia Civil, que pode ser feito pela Delegacia Virtual. Avise também o seu advogado verdadeiro e informe o tribunal sobre a tentativa de fraude.
Próximos passos da investigação
O material recolhido em Aparecida vai passar por perícia, e o caso segue sob investigação da 5ª Delegacia. Até a publicação desta matéria, a Polícia Civil não tinha informado se houve prisões nesta fase nem quantas vítimas foram identificadas.
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