Casal morto em frente a distribuidora em Anápolis: PM prende dois suspeitos e investiga cobrança de dívida ligada a facções do Rio
Hiago Almeida dos Santos, de 25 anos, e Ana Carolina Maia, de 24, foram mortos a tiros no domingo (18/10), no Setor Maracanã. Presos em Campo Limpo de Goiás confessaram participação, segundo a PM.

Um casal jovem foi morto a tiros na tarde do domingo (18/10) em frente a uma distribuidora de bebidas na Avenida Presidente Kennedy, no Setor Maracanã, em Anápolis. Poucas horas depois, a Polícia Militar prendeu dois homens, de 20 e 28 anos, em Campo Limpo de Goiás, cidade vizinha. Nesta segunda-feira (19/10), a PM afirmou que a principal hipótese é a de uma cobrança de dívida ligada ao tráfico de drogas, com envolvimento de facções criminosas do Rio de Janeiro.
As vítimas são Hiago Almeida dos Santos, de 25 anos, dono da distribuidora, e a esposa dele, Ana Carolina Maia, de 24. Hiago foi atingido por seis tiros e morreu no local. Ana Carolina levou pelo menos três disparos, foi socorrida ao Hospital Municipal Alfredo Abrahão, mas morreu antes de ser transferida para o Hospital Estadual de Anápolis (Heana).
Como os suspeitos foram encontrados
A prisão foi feita por equipes da 24ª Companhia Independente da PM, com apoio da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), a partir de informações da inteligência. O suspeito de 20 anos foi abordado dirigindo um Fiat Palio branco. Segundo a PM, ele confessou ter participado do crime, apontou o comparsa e levou os policiais até uma chácara a cerca de 1 km da área urbana de Campo Limpo de Goiás.
Lá, dentro de uma sacola guardada numa prateleira da área de serviço, estavam um revólver calibre .38 e uma pistola calibre .380, os dois sem munição. Os policiais também apreenderam uma camisa parcialmente queimada, que, segundo a PM, o jovem disse ter usado no crime e tentado destruir.
O segundo suspeito, de 28 anos, foi encontrado em casa. De acordo com o relato policial, ele contou que foi chamado para “uma ação” em Anápolis e que pilotou uma moto emprestada, com os números finais da placa escondidos com fita isolante. Ainda segundo a versão dele, o comparsa desceu da moto perto da distribuidora e atirou com as duas armas. Depois, os dois fugiram para Campo Limpo.
O que a PM diz sobre a motivação
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (19/10), na sede da CPE, o comandante do 3º Comando Regional da PM, coronel Fábio Costa, disse que a linha principal de investigação é a de uma cobrança de dívida do tráfico misturada a uma disputa entre facções. Segundo ele, os próprios presos relataram que Hiago mantinha contato com um homem escondido em uma comunidade do Rio de Janeiro e cuidava da contabilidade dele. O coronel afirmou ainda que o casal já tinha sido preso junto por tráfico.
Para a PM, o alvo do ataque era Hiago. “A Caroline morreu por ser esposa do Hiago, a verdade é essa”, declarou o comandante. Os presos também disseram que a distribuidora servia de ponto para atividades criminosas, mas essa informação parte dos investigados e ainda precisa ser confirmada. A possível ligação de Hiago com uma facção também depende da investigação.
Entenda: o aliciamento de jovens
O caso chama atenção para um padrão que a polícia diz enxergar no interior de Goiás. De acordo com o coronel Fábio Costa, líderes de facções que estão fora do estado, escondidos em comunidades do Rio e até em condomínios fechados do Distrito Federal, recrutam pessoas vulneráveis da região, entregam as armas e indicam os alvos. Quem puxa o gatilho, muitas vezes, é um jovem sem ligação direta com a disputa. Um dos presos, segundo a polícia, não tinha antecedentes e teria sido chamado apenas para pilotar a moto.
Segundo o comandante, a polícia também investiga essas lideranças que estariam no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Nomes e detalhes dessa apuração não foram divulgados.
Próximos passos
Os dois suspeitos foram presos em flagrante e seguem à disposição da Justiça. O caso passou para o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Polícia Civil de Anápolis, que vai apurar a motivação, a responsabilidade de cada um e se outras pessoas participaram do crime, como quem encomendou as mortes e quem forneceu as armas e a moto.
Quem tiver informações sobre o caso pode avisar a polícia de forma anônima pelo Disque-Denúncia 197, da Polícia Civil, ou pelo 190, da Polícia Militar.
O Uai segue acompanhando a investigação. Compartilhe esta matéria e leia também sobre a operação da Polícia Civil contra fraude em terrenos na Grande Goiânia.
