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Lula compara abertura de sigilos a jogo de truco e diz a Flávio Bolsonaro: “Vou meter um 9 na cara dele”

Por Kelly Sales · 3 min de leitura

Durante ato em Belo Horizonte, presidente afirmou aceitar as condições apresentadas pelo adversário e utilizou referências ao jogo de cartas para comentar a disputa sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar, nesta quarta-feira (21), a proposta de abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos envolvendo ele e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Durante um ato de campanha em Belo Horizonte, Minas Gerais, Lula comparou a troca de exigências entre os dois ao jogo de truco e afirmou que pretende ampliar o desafio feito ao adversário.

Ao discursar para apoiadores, o presidente fez referência à tradição mineira no jogo de cartas e criticou as condições apresentadas pelo senador para autorizar a divulgação de seus dados.

“Mineiro é especialista em saber jogar truco. Essa semana pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã”, declarou Lula.

Na sequência, o presidente manteve a comparação e afirmou que considera inconsistentes as justificativas apresentadas pelo adversário.

“Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas”, disse.

Lula também mencionou cartas utilizadas no truco, afirmando que possui combinações suficientes para continuar o confronto político.

A declaração ocorreu após Flávio Bolsonaro encaminhar, também nesta quarta-feira (21), uma manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informando que aceita o desafio de abertura dos sigilos, desde que determinadas condições sejam atendidas.

Entre as exigências apresentadas pelo candidato do PL estão a divulgação de informações relacionadas a familiares de Lula, ao Instituto Lula, a despesas da Presidência e a registros telefônicos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, assessor do presidente.

Flávio também questionou a proposta de divulgação dos dados telefônicos de Lula, alegando que o presidente não possui celular próprio.

As condições fazem parte da troca de manifestações entre os candidatos, iniciada após Lula propor a abertura dos sigilos durante o debate presidencial realizado no domingo (18).

Após a manifestação de Flávio Bolsonaro, o coordenador político da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE), informou que o presidente não se opõe às condições apresentadas pelo adversário.

Segundo a campanha petista, a autorização para divulgação dos dados poderá incluir informações de familiares, assessores e instituições mencionadas pelo senador.

A equipe de Lula também apresentou exigências adicionais relacionadas a informações financeiras que considera relevantes para a análise dos registros.

Apesar das manifestações públicas, a efetiva divulgação dos dados depende dos procedimentos legais e das autorizações necessárias. A apresentação de propostas de abertura de sigilo não significa que os documentos já estejam disponíveis para consulta pública.

Durante o mesmo evento em Belo Horizonte, Lula também comentou as críticas de Flávio Bolsonaro sobre não possuir telefone celular próprio.

O presidente afirmou que recebeu um aparelho do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e anunciou que pretende utilizá-lo para participar de um canal de mobilização digital organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

A declaração ocorreu em meio às estratégias de comunicação adotadas pelas campanhas para ampliar o contato com os eleitores nos últimos dias antes da votação.

O debate sobre a abertura dos sigilos passou a integrar os principais temas da disputa presidencial nesta reta final da campanha.

Lula e Flávio Bolsonaro têm apresentado condições para a divulgação de informações pessoais e financeiras, enquanto utilizam o assunto em discursos e manifestações públicas.

O segundo turno das eleições presidenciais será realizado no domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o presidente da República para o mandato de 2027 a 2030.

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