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Lula pede investigação da PF sobre disputa por ilha envolvendo Richarlison e aliado de Flávio Bolsonaro

Por Kelly Sales · 4 min de leitura

Presidente questiona transferência dos direitos de ocupação de imóvel avaliado em R$ 10 milhões, em Angra dos Reis, e afirma que possíveis irregularidades serão apuradas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (21), que solicitou à Polícia Federal (PF) uma investigação sobre a disputa judicial envolvendo o jogador Richarlison, o advogado Willer Tomaz e uma propriedade localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O caso ganhou repercussão nacional após o atacante acusar o advogado, que mantém relação de amizade com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), de irregularidades na transferência dos direitos sobre o imóvel.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula questionou a rapidez com que o processo de regularização teria avançado em favor de uma empresa ligada a Willer Tomaz, enquanto a solicitação apresentada pelo grupo de Richarlison teria permanecido sem conclusão durante meses.

Segundo o presidente, o jogador investiu aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação da propriedade e em melhorias realizadas no local. Lula também mencionou a participação de Flávio Bolsonaro em uma visita ao imóvel e levantou suspeitas sobre os procedimentos adotados na Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

“Tô pedindo pra Polícia Federal investigar para saber onde é que foi feito o trambique”, declarou Lula, ao comentar as acusações envolvendo a transferência do imóvel.

O presidente afirmou ainda que pretende esclarecer as circunstâncias do caso e dirigiu uma mensagem ao atacante, assegurando que os fatos serão apurados.

A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison e seus sócios negociaram a aquisição dos direitos de ocupação de uma propriedade de luxo na Ilha Comprida. O terreno pertence à União, razão pela qual a discussão envolve a regularidade da ocupação, e não a compra da ilha como propriedade privada.

De acordo com o jogador, o investimento total chegou a R$ 10 milhões, incluindo pagamentos aos antigos ocupantes, reformas e despesas de segurança.

Richarlison afirma que apresentou documentos para regularizar sua situação perante os órgãos responsáveis, mas que o processo permaneceu parado por aproximadamente dez meses.

Nesse período, uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz obteve reconhecimento administrativo dos direitos sobre o imóvel. O atacante contesta a legalidade dos procedimentos e sustenta que foi prejudicado por decisões administrativas e judiciais.

Na quarta-feira (21), Richarlison divulgou documentos nas redes sociais que, segundo ele, comprovam a regularidade da negociação realizada em outubro de 2020.

Willer Tomaz rejeita as acusações feitas pelo jogador e afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos sobre a propriedade.

O advogado argumenta que os documentos apresentados por Richarlison demonstram pagamentos realizados a antigos ocupantes, mas não comprovam, por si só, a titularidade dos direitos reivindicados pelo atleta.

Tomaz também sustenta que possui decisões judiciais favoráveis, incluindo pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega participação na disputa judicial ou qualquer atuação irregular relacionada ao imóvel. O senador afirma que foi mencionado no processo apenas como testemunha e que não possui vínculo com a propriedade.

As acusações apresentadas por Richarlison são contestadas pelos envolvidos, e a declaração de Lula sobre a investigação não representa uma conclusão sobre a existência de irregularidades.

A disputa ganhou um novo desdobramento político nesta quarta-feira (21), quando parlamentares do Partido dos Trabalhadores solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da transferência dos direitos de ocupação do imóvel para a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer Tomaz.

O pedido foi apresentado pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), e pelo vice-líder do governo, Rogério Correia (MG), e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.

A iniciativa busca questionar os procedimentos que resultaram na transferência dos direitos sobre a área, considerada patrimônio da União.

A manifestação de Lula amplia a repercussão de uma disputa que já passou por diferentes instâncias judiciais e envolve questionamentos sobre decisões administrativas relacionadas a um bem público.

Embora o presidente tenha afirmado que solicitou a atuação da Polícia Federal, a declaração não significa, por si só, que as suspeitas estejam comprovadas. Também não havia confirmação independente, nas informações consultadas, sobre a instauração de um novo inquérito específico em decorrência do pedido presidencial.

O caso ocorre em meio à reta final da disputa presidencial de 2026, colocando novamente Lula e Flávio Bolsonaro no centro de um embate político, desta vez relacionado às acusações feitas pelo atacante da seleção brasileira.

A definição sobre eventuais irregularidades dependerá da análise dos documentos, dos procedimentos administrativos e das decisões judiciais relacionados à propriedade.

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