Bombas de insulina em Goiânia: prefeitura prepara compra de aparelhos novos para até 250 pacientes
Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia prepara contratação de bombas de insulina mais modernas para até 250 pacientes; hoje, 197 usuários enfrentam atrasos na entrega de insumos.
Secretaria Municipal de Saúde quer ampliar o atendimento para até 250 pacientes com aparelhos mais modernos; hoje, 197 pessoas usam o equipamento e convivem com atrasos na entrega de insumos
A Prefeitura de Goiânia prepara uma nova contratação de bombas de insulina e dos insumos usados nos aparelhos. O anúncio foi feito pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na quinta-feira (15/10). A proposta é atender até 250 pacientes com diabetes que dependem do sistema de infusão contínua de insulina, 53 a mais do que o número atual de usuários acompanhados pela rede municipal.
Segundo a SMS, 197 pessoas que usam bombas de insulina são acompanhadas hoje pelo ambulatório especializado da secretaria. A troca de equipamento ocorre em meio a um problema que esses pacientes já conhecem bem: a dificuldade de manter em dia o abastecimento dos materiais que fazem os aparelhos atuais funcionarem.
O que a prefeitura promete com os novos aparelhos
De acordo com a secretaria, os novos dispositivos têm tecnologia mais moderna e permitem um controle melhor da glicemia. O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, afirmou que o sistema aplica a insulina de forma automática e personalizada, “monitorando os níveis de glicose a cada cinco minutos”.
Na prática, a bomba de insulina é um pequeno aparelho preso ao corpo que libera o hormônio de forma contínua, por meio de um cateter fino colocado sob a pele. Ela substitui as várias picadas diárias de caneta ou seringa e costuma ser indicada para pessoas com diabetes tipo 1 que têm dificuldade de controlar a glicose só com o tratamento convencional. Para funcionar, o equipamento depende de reposição frequente de cateteres, reservatórios e outros insumos. Sem esse material, o aparelho simplesmente para.
A prefeitura ainda não informou o valor da contratação, a modalidade de compra nem a data prevista para a entrega dos novos aparelhos.
Entregas incompletas e fabricante que parou de produzir
A SMS admite que tem enfrentado dificuldade para garantir o fornecimento regular dos insumos dos sistemas usados atualmente. Segundo a pasta, a empresa responsável pelo contrato foi notificada quatro vezes entre março e setembro por atrasos e entregas incompletas dos materiais previstos.
Em comunicado enviado ao município, a fornecedora informou que a fabricante Roche interrompeu a produção dos dispositivos usados hoje pelos pacientes e disse que buscaria alternativas para manter o atendimento de quem já está cadastrado. A secretaria afirma que paga apenas pelos materiais efetivamente entregues e que não há pendências financeiras com a empresa.
A falta de insumos para diabéticos é uma queixa antiga em Goiânia. Nos últimos anos, pacientes, associações e vereadores cobraram a prefeitura na Câmara Municipal por atrasos na entrega de insulina, tiras de glicemia e materiais das bombas, e o tema chegou a ser levado à Justiça e à Defensoria Pública.
O que muda para você
- Quem já usa bomba pela prefeitura: continua sendo acompanhado pelo ambulatório especializado da SMS. A troca para o novo modelo depende da conclusão da contratação, que ainda não tem data.
- Mais vagas: o novo contrato prevê atendimento para até 250 pessoas, contra 197 hoje.
- Insumos em atraso: quem estiver sem material deve procurar o ambulatório onde é acompanhado e registrar a falta. A reclamação também pode ser feita na Ouvidoria da Saúde de Goiânia.
- Não interrompa o tratamento: se a bomba parar por falta de insumo, procure a equipe médica para receber orientação sobre como manter a aplicação de insulina por outro meio até a reposição.
Próximos passos
A secretaria diz que o processo de contratação está em preparação. O Uai vai acompanhar a publicação do edital, o valor do contrato e o prazo para que os novos aparelhos cheguem aos pacientes.
Acompanhe o Uai Notícias Goiás para saber cada passo dessa compra e compartilhe esta matéria com quem convive com o diabetes. Entenda também por que o STJ reconheceu bombas de insulina e sensores como dispositivos médicos essenciais.
