Debate na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro discutem economia, segurança e trocam acusações
Último confronto antes do segundo turno foi marcado por divergências sobre saúde, programas sociais, custo de vida e corrupção, além de episódios envolvendo o caso Ana Clara e ataques pessoais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, na sexta-feira (23/10), do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. Promovido pela TV Globo e mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro reuniu discussões sobre economia, segurança pública, saúde, infraestrutura e políticas sociais, além de confrontos relacionados à trajetória política dos candidatos.
Com a votação marcada para domingo (25/10), os presidenciáveis buscaram defender suas propostas e questionar os resultados e posicionamentos do adversário. Ao longo dos quatro blocos, as discussões sobre questões nacionais dividiram espaço com acusações pessoais.
Economia e custo de vida
A situação econômica do país esteve entre os principais assuntos. Flávio Bolsonaro criticou os preços dos alimentos, a carga tributária, o endividamento das famílias e os gastos públicos. O senador também questionou a condução de obras de infraestrutura e defendeu maior controle das despesas do governo.
Lula respondeu destacando investimentos realizados durante sua administração, programas de renegociação de dívidas e a política de valorização do salário mínimo. Os dois também divergiram sobre financiamento do agronegócio, aposentadorias e investimentos nas diferentes regiões do Brasil.
Segurança pública e caso Ana Clara
Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado pela morte de Ana Clara, de 5 anos, atingida por um disparo de fuzil em 2021, no Rio de Janeiro.
Flávio afirmou acreditar na inocência do agente e destacou que o policial ainda não havia sido julgado. Durante sua resposta, o senador confundiu o nome da mãe da criança com o da própria vítima, provocando uma reação da mulher, que acompanhava o debate na plateia.
A discussão também envolveu propostas para o combate ao crime organizado. Flávio defendeu o endurecimento da legislação penal, enquanto Lula questionou a atuação política do adversário em casos relacionados à segurança pública.
Licença-maternidade, Bolsa Família e troca de ofensas
Lula cobrou explicações sobre o voto contrário de Flávio Bolsonaro à ampliação da licença-maternidade, durante sua atuação como deputado estadual. O senador reconheceu que estava errado e afirmou ter mudado de posicionamento após se tornar pai.
O presidente também questionou críticas anteriores do adversário ao Bolsa Família. Flávio respondeu que pretende manter e ampliar os programas de transferência de renda.
Outro episódio ocorreu quando o senador se referiu a Lula como “nove dedos”, em uma crítica à política econômica. O presidente reagiu, lembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho e exigiu uma retratação. Flávio pediu desculpas, enquanto Lula também utilizou o termo “miliciano” para se referir ao adversário, provocando nova contestação.
Saúde pública e atendimento pelo SUS
Na área da saúde, os candidatos divergiram sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a gestão da pandemia de Covid-19.
Flávio criticou a demora para consultas, exames e procedimentos, defendendo mudanças na gestão dos recursos e na remuneração dos serviços prestados pela rede pública.
Lula destacou a importância do SUS e questionou a condução da crise sanitária durante o governo de Jair Bolsonaro. O senador rebateu as críticas e afirmou que pretende ampliar os investimentos no sistema.
Apostas on-line e endividamento
As apostas esportivas e os jogos de cassino on-line também provocaram divergências. Lula defendeu o fim das bets, argumentando que a atividade compromete a renda das famílias. Flávio responsabilizou o governo petista pela regulamentação do setor, enquanto o presidente atribuiu a origem do problema à gestão anterior.
Na discussão sobre endividamento, Flávio apresentou uma proposta para utilizar a Caixa Econômica Federal na renegociação de dívidas. Lula respondeu citando medidas já adotadas por seu governo.
Corrupção, sigilos e caso Richarlison
No bloco de tema livre, os candidatos trocaram questionamentos sobre patrimônio, investigações, operações financeiras e relações com empresários, incluindo o caso do Banco Master.
Lula também mencionou a disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, relacionada ao jogador Richarlison. Flávio negou irregularidades e afirmou que a questão já havia sido resolvida judicialmente.
Os dois ainda divergiram sobre a apresentação de documentos para abertura de sigilos. Lula afirmou ter cumprido sua parte no acordo, enquanto Flávio declarou que a documentação de sua equipe também havia sido entregue. As acusações feitas durante o confronto não representam, por si só, comprovação de irregularidades.
Reta final da disputa presidencial
Nas considerações finais, Lula e Flávio Bolsonaro voltaram a defender suas candidaturas e a apresentar argumentos para conquistar o eleitorado.
O debate encerrou a série de confrontos televisivos entre os presidenciáveis antes do segundo turno. Apesar das discussões sobre propostas para o país, os ataques pessoais e os questionamentos sobre episódios envolvendo os candidatos tiveram espaço significativo no encontro.
Agora, a decisão ficará com os eleitores, que retornarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.
