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Flávio Bolsonaro defende PM acusado de matar menina de 5 anos durante debate com Lula

Por Kelly Sales · 3 min de leitura

Senador contestou a responsabilidade do policial pela morte de Ana Clara e apresentou propostas para endurecer a legislação penal durante discussão sobre segurança pública.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, durante o debate presidencial promovido pela TV Globo, na sexta-feira (23/10). O assunto foi abordado após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionar a atuação do adversário na defesa do agente.

Flávio afirmou acreditar que o policial não foi responsável pelo disparo que matou a criança e destacou que o processo ainda não foi julgado.

“Eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, declarou.

Durante a discussão, o senador também abordou a violência nas comunidades, a atuação de organizações criminosas e a necessidade de mudanças na legislação penal.

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava com o irmão mais novo, próximo de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo teria partido da arma utilizada pelo policial militar Bruno Dias Delaroli, durante uma operação na comunidade.

A acusação sustenta que o agente efetuou disparos em direção a uma área residencial, colocando moradores em risco. A defesa do policial, por sua vez, apresentou uma versão diferente sobre as circunstâncias da ocorrência.

Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a equipe responsável pela defesa do militar e participou de um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que buscava reverter a decisão de submeter o acusado ao Tribunal do Júri.

O pedido foi rejeitado, e a determinação de julgamento pelo júri popular foi mantida. O policial responde ao processo em liberdade e, até o momento, não havia sido julgado.

O caso voltou ao centro da disputa presidencial depois que Lula cobrou explicações sobre a participação do senador na defesa do militar.

A discussão já havia sido levantada no debate promovido pela Band, em 18 de outubro. No encontro da Globo, o assunto ganhou novamente destaque em meio às divergências entre os candidatos sobre segurança pública.

A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o debate na plateia como convidada de Lula. A presença dela ocorreu em meio à repercussão do caso na campanha eleitoral.

Durante o debate, Flávio Bolsonaro também apresentou propostas para endurecer o combate à criminalidade. Entre as medidas defendidas pelo senador está a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho e das milícias como organizações narcoterroristas.

O candidato também defendeu punições mais severas para crimes como roubo de celular e criticou políticas de desencarceramento, além da aplicação das audiências de custódia.

As propostas foram apresentadas como parte de sua estratégia para enfrentar o crime organizado, um dos principais temas discutidos pelos candidatos à Presidência.

O debate promovido pela TV Globo foi o último confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25/10).

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