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Pequi mais rápido: clones da Emater Goiás dão fruto em 3 anos e meio em Porangatu; no pé de semente, espera chega a 20 anos

Pesquisa da Emater Goiás em Porangatu mostra que pequizeiros clonados, com e sem espinhos, começaram a produzir cerca de três anos e meio após o plantio. Pelo método tradicional, a primeira colheita pode levar até 20 anos.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Pesquisadores da Emater Goiás avaliam pequizeiros clonados na Estação Experimental de Porangatu
Foto: Emater Goiás

Pesquisa na Estação Experimental de Porangatu, no Norte goiano, encurta a espera pelo fruto mais famoso da cozinha goiana; banco da Emater guarda mais de 1.600 pequizeiros

Quem planta pequi costuma ouvir que vai colher para os netos. Uma pesquisa da Emater Goiás quer mudar essa história. Na Estação Experimental de Porangatu, no Norte do estado, pequizeiros produzidos por clonagem, com e sem espinhos, começaram a dar frutos cerca de três anos e meio depois do plantio. Pelo caminho tradicional, a partir da semente, a primeira colheita pode demorar até 20 anos, dependendo das condições de cultivo. O avanço foi divulgado pela Emater na terça-feira (13/10), justamente quando o Cerrado entra na época em que o fruto volta às feiras e às panelas goianas.

Para quem vive do pequi, a diferença é enorme. Um pomar que começa a render em menos de quatro anos permite planejar renda, investir em mudas e pensar o fruto como lavoura, e não só como extrativismo, aquela coleta no pé que cresceu sozinho no pasto ou na beira da estrada.

Por que o clone produz antes

A explicação está na genética. Segundo a pesquisadora Elainy Botelho, da Emater Goiás, a clonagem reproduz as características desejáveis de uma planta já selecionada. Quando o pequizeiro nasce da semente, cada pé sai diferente: varia o tempo até a primeira safra e variam também as características do fruto, como tamanho e quantidade de polpa.

Na visita mais recente à estação de Porangatu, a equipe avaliou o desenvolvimento das plantas e fez o plaqueamento das árvores, uma espécie de identificação individual que permite acompanhar cada pé ao longo dos experimentos.

Mas a pesquisadora avisa que não basta colocar a muda na terra. O bom resultado depende de um protocolo de manejo, com espaçamento correto, adubação, irrigação e capina. “Muitos pensam que apenas plantar é suficiente, e que o resto do trabalho se faz sozinho”, disse Elainy Botelho. “Não é assim: é preciso um cuidado especial e constante para garantir bons resultados”, completou.

O maior banco de pequi do mundo fica em Goiás

A Emater estuda o pequi há mais de 30 anos. Nesse tempo, montou o que a própria empresa descreve como o maior banco de germoplasma de pequi do mundo: são mais de 1.600 pequizeiros, que representam centenas de variedades encontradas na natureza. As árvores são multiplicadas por enxertia e outros métodos assexuados, aqueles que não dependem da semente, e ficam distribuídas pelas unidades de pesquisa de Goiânia, Anápolis, Porangatu e Araçu.

Esse acervo já rendeu frutos, no sentido literal. Em 2022, a Emater e a Embrapa Cerrados lançaram seis variedades de pequi: três com espinhos e três sem espinhos. A versão sem espinhos chama atenção de quem já sofreu com aquela mordida desatenta no caroço, mas o principal ganho das variedades selecionadas está na previsibilidade da produção.

O que muda para o produtor e para a mesa goiana

  • Espera menor: nos clones avaliados em Porangatu, a produção começou em cerca de 3 anos e meio; pela semente, pode levar até 20 anos.
  • Fruto mais padronizado: o clone repete as características da planta-mãe selecionada.
  • Manejo é obrigatório: espaçamento, adubação, irrigação e capina fazem parte do protocolo.
  • Apoio técnico: a Emater atende viveiristas e produtores com orientação para implantar e manejar pomares de pequi.

Para o goiano, o pequi é mais do que um ingrediente. É o cheiro do arroz com pequi de domingo, da galinhada da casa da avó e de muita receita que atravessa gerações. Ter pomares produzindo mais cedo pode ajudar a garantir oferta do fruto e a diminuir a pressão sobre os pequizeiros nativos do Cerrado, que seguem como a principal fonte do que chega às feiras.

Próximos passos

Com as árvores identificadas, a Emater segue acompanhando o desempenho dos clones em Porangatu. Produtores e viveiristas interessados em cultivar pequi podem procurar a unidade local da Emater Goiás no seu município para receber orientação técnica sobre a formação do pomar.

Acompanhe o Uai Notícias Goiás para mais histórias do campo e da cozinha goiana e compartilhe esta matéria com quem ama um bom pequi. Veja também: Safra de soja em Goiás: plantio chega a 70% em Jataí e Conab projeta 35,9 milhões de toneladas de grãos.

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