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Saúde

Cientista brasileira testa tratamento que pode devolver movimentos a paraplégicos

Estudo autorizado pela Anvisa entra em fase clínica inicial e busca comprovar segurança e eficácia de molécula criada para estimular a regeneração da medula espinhal.

Por Débora Evelyn · 2 min de leitura

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e lidera uma pesquisa que vem chamando atenção em todo o país: o desenvolvimento da polilaminina, uma molécula experimental criada para estimular a regeneração da medula espinhal.

A proposta é ousada. A ideia é recriar, no local da lesão, um ambiente que ajude os neurônios a crescer novamente e restabelecer conexões interrompidas após traumas graves.

Para entender a importância disso, é preciso imaginar a medula espinhal como a principal via de comunicação entre o cérebro e o corpo. Quando ela é lesionada, os comandos enviados pelo cérebro deixam de chegar aos músculos. O resultado, muitas vezes, é a perda parcial ou total dos movimentos.

O desafio científico é enorme. Diferente de outros tecidos do corpo, o sistema nervoso central praticamente não se regenera sozinho. Depois do trauma, forma-se uma espécie de barreira biológica que impede a reconexão natural das fibras nervosas. É justamente nesse ponto que a polilaminina busca atuar.

A pesquisa avançou para fase clínica inicial com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nesta etapa, os estudos avaliam principalmente a segurança da aplicação e observam possíveis sinais iniciais de eficácia em pacientes com lesão recente.

O tratamento ainda é experimental e não está disponível na rede pública ou privada. Resultados preliminares apontam potencial de melhora funcional, mas especialistas reforçam que são necessários estudos maiores e publicações científicas consolidadas para confirmar os efeitos.

Mesmo em estágio inicial, o avanço é considerado relevante. A lesão medular sempre esteve entre os maiores desafios da neurologia. Se os próximos passos confirmarem a eficácia da proposta, o impacto poderá ser significativo para milhares de pessoas que convivem com limitações motoras severas.

A pesquisa também reacende uma discussão mais ampla sobre investimento em ciência no Brasil e o papel das universidades públicas na produção de conhecimento de alta complexidade. O Uai Notícias Goiás acompanha os desdobramentos desse estudo que pode abrir novas possibilidades na medicina regenerativa.

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