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Goiás terá Dia D contra dengue e chikungunya na quinta-feira (26/11); prefeituras terão de ampliar horário de postos

Governador Daniel Vilela reuniu prefeitos nesta segunda-feira (19/10) e cobrou protocolo com postos abertos nos fins de semana. Estado já tem 108,5 mil casos de dengue e a chikungunya subiu 343%.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Governador Daniel Vilela em reunião com prefeitos de Goiás sobre combate à dengue, zika e chikungunya

O Governo de Goiás vai marcar um Dia D contra a dengue, a zika e a chikungunya em todos os municípios do estado na quinta-feira (26/11). O anúncio foi feito pelo governador Daniel Vilela nesta segunda-feira (19/10), em reunião com prefeitos de quase todas as cidades goianas, quando ele também determinou um protocolo de compromissos que as prefeituras terão de cumprir para segurar o avanço do Aedes aegypti antes do pico das chuvas.

A pressa tem motivo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), Goiás já soma 108.540 casos confirmados de dengue em 2026, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. A chikungunya preocupa ainda mais: são 11.309 casos, um salto de 343%. O governador ligou o aumento às chuvas que chegaram mais cedo e ao calor forte, combinação que acelera a reprodução do mosquito.

“É uma preocupação muito grande”, resumiu Daniel Vilela durante o encontro.

O que as prefeituras se comprometem a fazer

O protocolo mexe direto no atendimento de quem ficar doente. Pelo combinado, os municípios devem:

  • ampliar o horário das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) conforme a procura;
  • manter pelo menos uma unidade de referência aberta nos fins de semana e feriados;
  • garantir soro, material para hidratação oral e na veia e remédios para dor e febre;
  • acompanhar o estoque de testes e de vacinas;
  • ter agentes comunitários de saúde em número suficiente nas ruas;
  • melhorar o acolhimento e o acompanhamento dos pacientes e manter atualizado o Painel de Arboviroses da SES.

A SES-GO fica responsável pelo apoio logístico às cidades. Equipes do Estado e das prefeituras também passam a se reunir por videoconferência toda quinta-feira, às 10h, para acompanhar a situação semana a semana.

Como vai ser o Dia D

No dia 26 de novembro, a ideia é colocar a prefeitura inteira na rua, e não só a Saúde. Devem participar as secretarias de limpeza urbana, obras, educação, comunicação, fiscalização e meio ambiente. A programação prevê mutirões de limpeza, retirada de criadouros, reforço das visitas de casa em casa e vistoria nos pontos considerados críticos em cada cidade.

O secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, lembrou que boa parte do trabalho depende do morador. “Só conseguiremos obter êxito nessa batalha com a união de todos”, disse. A orientação é eliminar qualquer ponto de água parada dentro de casa e no quintal.

Entre os prefeitos, o tom foi de urgência. O presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM) e prefeito de Jaraguá, Paulo Vitor Avelar, garantiu a adesão das cidades. Já o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, alertou que, se nada for feito agora, os municípios vão “apanhar dessas doenças em janeiro”.

Entenda: por que a chikungunya acende o alerta

A dengue e a chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito, mas a chikungunya costuma deixar dor forte nas articulações que pode durar meses, o que afasta muita gente do trabalho. Um salto de mais de 300% em um ano mostra que o vírus está circulando com força em Goiás.

Na dengue, outro sinal de atenção é a mudança do tipo de vírus. O sorotipo 3 (DEN-3) responde por 53,8% dos exames positivos em 2026, depois de anos com predomínio dos tipos 1 e 2. Como muita gente nunca teve contato com o DEN-3, há mais pessoas sem proteção contra ele, e quem já teve dengue por outro tipo corre mais risco de ter a forma grave.

Armadilhas, Wolbachia e vacina

Além do Dia D, o Estado lista o que já está em andamento. São 5.736 armadilhas para ovos do mosquito (ovitrampas) instaladas em 104 municípios e 3.278 estações disseminadoras de larvicida distribuídas. Outros 592 profissionais foram capacitados em 161 cidades.

O método Wolbachia, que solta mosquitos com uma bactéria que impede a transmissão dos vírus, já funciona em Valparaíso de Goiás, Luziânia e Anápolis. Aparecida de Goiânia e Trindade se preparam para receber a tecnologia.

Na vacinação, o retrato é de dever de casa atrasado. Goiás aplicou 402.915 doses da vacina contra a dengue (Qdenga), oferecida pelo SUS a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A cobertura da primeira dose está em 54,84%, e 39,91% dos que começaram o esquema estão com a segunda dose vencida.

O que muda para você

  • Tem filho de 10 a 14 anos? Confira o cartão de vacina. Quem tomou a primeira dose da Qdenga precisa voltar ao posto para a segunda, mesmo com o prazo vencido.
  • Febre alta, dor no corpo, atrás dos olhos ou nas juntas? Procure a UBS mais perto e beba bastante líquido. Não tome remédio por conta própria, principalmente os que têm ácido acetilsalicílico.
  • Dez minutos por semana: vire garrafas e baldes, limpe calhas, troque a água dos bebedouros dos animais, tampe caixas d’água e coloque areia nos pratos de vasos.
  • Fim de semana ou feriado: pelo protocolo, sua cidade deve ter uma unidade de referência aberta. Informe-se na secretaria municipal de Saúde.

No domingo (18/10), o Uai já tinha mostrado o salto da chikungunya e a chegada da Wolbachia a Aparecida e Trindade. Continue acompanhando o Uai Notícias Goiás para saber como cada cidade vai organizar o Dia D, e compartilhe esta matéria com quem precisa vacinar os filhos.

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