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Exclusivo: Fátima Gavioli revela ao Uai Notícias Goiás que deixa Goiás para comandar a Educação do Paraná

Em entrevista ao Uai Notícias Goiás, a secretária confirma que aceitou o convite de Sérgio Moro, revela que também foi sondada por Rondônia e Tocantins e explica por que abriu mão de seguir com Daniel Vilela.

Por Débora Evelyn · Atualizado · 5 min de leitura
Fátima Gavioli em entrevista exclusiva ao Uai Notícias Goiás

A secretária de Estado da Educação de Goiás, Fátima Gavioli, vai deixar o estado. Em entrevista exclusiva ao Uai Notícias Goiás, ela confirmou que aceitou o convite do governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), para integrar a gestão que começa em janeiro de 2027 e passar a dirigir a rede pública de ensino paranaense. Nesta terça-feira (27/10), Moro anunciou oficialmente a escolha.

“Eu irei trabalhar no Paraná com o governador Sérgio Moro.”

Fátima Gavioli, secretária de Estado da Educação de Goiás

Três estados disputaram Fátima

A decisão veio depois de uma disputa pouco comum nos bastidores da educação brasileira. Além do Paraná, Fátima contou que recebeu convite para integrar o governo de Rondônia e uma sondagem informal do Tocantins.

“Isso me deixou muito feliz, porque é sinal de que o meu nome está circulando como um nome técnico na educação, embora eu também goste da parte política”, disse.

O interesse de outros estados tem explicação nos números. Sob o comando de Fátima, Goiás alcançou, em 2023, a maior nota do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, com 4,8. O resultado transformou a gestora em referência nacional e colocou o modelo goiano no radar de governadores de outras regiões.

O convite de Daniel Vilela

Ir para o Paraná significa abrir mão de um convite feito em casa. Segundo Fátima, o governador Daniel Vilela (MDB), reeleito no primeiro turno, ligou para ela logo depois da eleição para chamá-la de volta à Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e para que permanecesse na equipe do novo mandato, que começa em janeiro.

“Para mim, foi muito importante receber a ligação do governador Daniel Vilela depois da eleição. Fiquei muito honrada com esse convite”, afirmou.

Fátima voltou ao comando da Seduc em outubro, depois de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, e agora prepara a despedida da pasta que dirigiu desde 2019.

“O desafio é o que me move”

Para explicar a mudança, Fátima usou uma palavra que deve repercutir na rede estadual: oxigenação. Depois de quase oito anos à frente da Seduc, ela avalia que continuar no cargo não seria o melhor caminho nem para a secretaria nem para ela.

“Eu adoro trabalhar em Goiás, eu amo trabalhar em Goiás, mas tenho consciência de que, se eu permanecesse, não teria essa oxigenação que a secretaria precisa e que eu também considero algo que me move. Então, prefiro, neste momento, passar um tempo dirigindo outra rede no país e colaborando eternamente com a rede pública estadual de Goiás.”

Fátima Gavioli

Quem deve assumir a Educação de Goiás

Fátima deve permanecer à frente da Seduc até dezembro, para conduzir a transição com quem for indicado pelo governador Daniel Vilela.

O nome apontado para sucedê-la é o do atual secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra, que já integra a equipe do governo estadual. A indicação, no entanto, ainda não foi oficializada. A troca depende da nomeação pelo governador, com publicação no Diário Oficial do Estado.

Quem assumir vai herdar uma rede com mais de 900 unidades escolares, a missão de manter Goiás entre os melhores resultados do país no Ideb e uma decisão que mexe com quase 2 mil aprovados no concurso da Educação.

E a vaga na Câmara dos Deputados?

A mudança de estado não encerra os planos políticos de Fátima em Goiás. Nas eleições de outubro, ela recebeu 54.954 votos para deputada federal e ficou como primeira suplente do PSD. Se algum deputado do partido se licenciar ou se afastar do mandato, ela é a primeira da fila para assumir a cadeira.

Questionada se pretende voltar, foi direta: “Com certeza. Tenho uma vaga de suplência e, havendo convite para assumir ou surgindo algum fato em que um dos deputados se afaste ou se licencie, é lógico que vou voltar, assumir e trabalhar muito pela educação de Goiás e do Brasil”.

Na prática, a ida para o Paraná pode não ser definitiva. Basta que um deputado federal do PSD goiano deixe o mandato, ainda que temporariamente, para que Fátima troque Curitiba por Brasília.

O Paraná de Sérgio Moro

Ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça, Moro foi eleito governador do Paraná no primeiro turno, no domingo (4/10), com pouco mais de 50% dos votos válidos. Ele deixa o Senado para assumir o Palácio Iguaçu em 6 de janeiro de 2027, nova data de posse dos governadores, no lugar de Ratinho Júnior (PSD).

Para Fátima, a mudança tem também um sabor de volta para casa. Ela é paranaense, natural de Goioerê, no interior do estado, e vai comandar uma rede que, segundo ela, enfrenta desafios muito parecidos com os de Goiás.

O governador eleito já sinalizou a intenção de reduzir o número de secretarias do estado. Com a chegada de Fátima, a educação ganha no novo governo um nome com experiência de quase oito anos na gestão de uma rede estadual inteira.

Um último anúncio antes de sair

Antes de deixar Goiás, Fátima também revelou ao Uai uma medida que mexe com a expectativa de quase 2 mil aprovados no concurso da Educação. Ela disse que vai convocar as 1.973 pessoas que estão hoje no cadastro de reserva a partir de 2027. A convocação ainda não foi oficializada.

Para os professores da rede goiana, deixou um recado: “Acreditem na educação, acreditem na força e no poder da educação. Parabéns por tudo o que vocês fizeram pela educação de Goiás e obrigada por tudo o que fizeram por mim nesses últimos oito anos”.

Quer saber quem vai comandar a Educação de Goiás? Acompanhe os bastidores da transição aqui no Uai Notícias Goiás.

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