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Política

Votos após as 17h somam 35,5 mil e não chegam a 1% da vantagem de Lula; entenda a conta

Registros das urnas mostram que a votação prorrogada pelo STF representou 0,8% da diferença de 4,43 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro. Veja como o levantamento foi feito e o que pode acontecer com o pedido de anulação.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Lula e Flávio Bolsonaro discursam após o resultado do segundo turno de 2026

A prorrogação do horário de votação virou o principal argumento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para contestar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os números da própria urna eletrônica, porém, mostram que o volume de votos registrado depois das 17h foi pequeno demais para mudar o resultado do segundo turno.

Um levantamento do g1 com os registros técnicos das urnas, divulgado nesta segunda-feira (26/10), aponta que 35.521 votos foram confirmados depois das 17h, no horário de Brasília, no domingo (25/10).

A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, e Flávio ficou com 59.826.041, ou 48,21%.

Os votos registrados depois das 17h equivalem a 0,8% da vantagem de Lula. Na comparação com o total de votos válidos do segundo turno, que somaram 124.082.273, a fatia é ainda menor: cerca de 0,03%.

Os registros mostram o horário de cada voto, mas não em quem o eleitor votou. Por isso, vale testar o cenário mais extremo: mesmo que todos os 35.521 votos tivessem ido para Lula e fossem retirados da conta, ele continuaria à frente por 4.394.670 votos.

Para que o resultado fosse outro, cerca de 2,2 milhões de eleitores teriam de ter votado em Flávio, e não em Lula. Esse número é 62 vezes maior do que todos os votos confirmados no período prorrogado.

Para chegar ao número, o levantamento analisou os logs de 497.897 seções eleitorais. O log funciona como um livro de registros da urna: o equipamento anota sozinho, com data e hora, tudo o que acontece com ele durante o dia, como o momento em que foi ligado, a confirmação de cada voto e o encerramento da votação.

Esse arquivo não revela a escolha do eleitor. O resultado de cada seção fica no boletim de urna, e os votos ficam guardados no Registro Digital do Voto (RDV), que os armazena fora de ordem e sem nenhuma ligação com a identidade de quem votou.

Dos 35.521 votos confirmados depois das 17h, 30.866 estão em seções cujos dados já foram conferidos com os boletins de urna e aparecem como totalizados no sistema do TSE.

A extensão foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da coligação de Lula. A campanha relatou falta de ônibus, redução de frotas e cobrança de passagens em cidades como Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, na Bahia, e apontou o descumprimento de uma decisão do próprio STF que garante transporte público gratuito no dia da eleição.

Segundo a decisão, Zanin tomou conhecimento do caso às 16h32. O despacho só foi divulgado à imprensa às 17h03, quando milhares de urnas já tinham sido encerradas. Depois de conversas entre Zanin e o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ficou definido que a prorrogação até as 19h valeria apenas para as seções que ainda estavam abertas.

Nunes Marques explicou que a programação das urnas impede que um equipamento seja reaberto depois de encerrado. Por isso, as seções que já estavam fechadas às 17h não voltaram a receber eleitores.

A campanha de Flávio também havia pedido mais tempo de votação. O pedido, feito ao TSE, citava chuvas fortes, enchentes e falta de energia em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Logo após a confirmação do resultado, Flávio afirmou que não reconhece a derrota e que vai pedir a anulação do segundo turno. O senador criticou o fato de a decisão ter partido de um ministro do STF, e não do TSE, e disse que a regra mudou quando parte das urnas já estava fechada.

Até a publicação desta matéria, não havia decisão da Justiça Eleitoral sobre o pedido. Nos bastidores, ministros do TSE avaliam que a contestação não deve prosperar, justamente pela distância entre os votos registrados depois das 17h e a margem da vitória, segundo relatos publicados pela imprensa.

Ao anunciar o resultado, Nunes Marques reconheceu a reeleição de Lula e afirmou que a prorrogação não alterou a apuração. “Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou o ministro.

Com a vitória confirmada pelo TSE, Lula deve tomar posse para o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027. A data foi definida pela Emenda Constitucional 111, que tirou a cerimônia do primeiro dia do ano a partir desta eleição.

Acompanhe no Uai Notícias Goiás todos os desdobramentos do pedido de anulação e da transição para o novo mandato.

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