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Política

PF apura possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após restrição imposta por Moraes

Senador não cumpriu prazo para entregar documentos, enquanto autoridades brasileiras e argentinas apuram informações sobre uma suposta viagem aos Estados Unidos.

Por Kelly Sales · 4 min de leitura

A Polícia Federal (PF) investiga a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter deixado o Brasil após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o parlamentar de viajar ao exterior. O caso ganhou repercussão nesta terça-feira (27/10), depois que um veículo argentino divulgou informações sobre uma suposta passagem do senador pelo país vizinho, com destino aos Estados Unidos.

A suspeita surgiu um dia após Flávio ser intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal. O prazo de 24 horas terminou no fim da manhã desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados. Diante do descumprimento, a PF realizou o cancelamento dos passaportes em seu sistema e deverá comunicar a situação ao ministro Alexandre de Moraes.

Até o momento, não existe confirmação oficial de que o senador tenha deixado o território brasileiro. A ausência de registros migratórios e as informações divergentes sobre seu paradeiro estão entre os pontos analisados pelas autoridades.

A informação sobre a suposta saída do Brasil foi publicada pelo portal argentino Infobae. Segundo o veículo, Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira com a Argentina na noite de segunda-feira (26/10), utilizando um documento de identidade.

O senador seguiria até Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná, onde embarcaria em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.

A reportagem identificou um avião Gulfstream G400, pertencente à empresa Baires Fly, que teria sido preparado para realizar a viagem. Entretanto, informações posteriores indicaram que a aeronave não deixou Puerto Iguazú no período mencionado.

A divulgação provocou questionamentos sobre a localização do parlamentar, principalmente porque a suposta viagem teria ocorrido depois de sua intimação judicial.

Após a repercussão, a Polícia Federal brasileira entrou em contato com autoridades argentinas para verificar os registros de imigração e apurar a movimentação informada pela imprensa.

O governo do presidente Javier Milei afirmou que não encontrou registros de entrada de Flávio Bolsonaro no território argentino, nem solicitação formal de ingresso no país.

As autoridades argentinas também realizaram verificações relacionadas à aeronave mencionada na reportagem. Segundo a Direção Nacional de Imigração, a documentação da empresa estava regular e não havia plano de voo apresentado que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

No Brasil, a Polícia Federal também não identificou registros oficiais de saída do senador nos sistemas migratórios. As verificações continuam para esclarecer se houve alguma movimentação não registrada pelos postos regulares de fronteira.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, negou inicialmente que o parlamentar tivesse deixado o país.

Apesar da negativa, integrantes do Partido Liberal passaram a demonstrar preocupação com a falta de informações sobre seu paradeiro. Segundo a CNN Brasil, aliados cobraram um posicionamento público do senador para esclarecer as notícias sobre uma possível viagem.

A emissora também informou que a defesa enfrentou dificuldades para estabelecer contato com Flávio nesta terça-feira.

A ausência de uma manifestação direta do parlamentar ampliou as dúvidas sobre sua localização, embora não constitua, por si só, prova de que ele tenha saído do Brasil.

A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário e advogado Willer Tomaz.

O inquérito tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Além da restrição de viagens, o ministro determinou que o senador não mantenha contato com Willer Tomaz, que também é investigado e passou a residir nos Estados Unidos.

De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, a investigação identificou registros de mensagens eletrônicas que mencionariam Flávio como operador de uma conta no exterior vinculada ao advogado. Os elementos são analisados pelas autoridades e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.

Na segunda-feira (26/10), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais criticando a decisão judicial. O parlamentar afirmou que não pretendia deixar o Brasil e declarou que cumpriria a ordem de entregar os documentos.

A medida foi determinada um dia depois da derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10).

Embora não tenha cumprido o prazo estabelecido para a entrega dos passaportes, Flávio Bolsonaro não pode ser considerado oficialmente foragido apenas por esse motivo.

Isso porque, até as informações disponíveis nesta terça-feira, não havia mandado de prisão expedido contra o parlamentar.

A Polícia Federal deverá informar ao Supremo Tribunal Federal sobre o descumprimento da determinação. Caberá à Justiça avaliar a situação e decidir sobre eventuais novas medidas.

Enquanto isso, as autoridades continuam verificando as informações sobre a suposta viagem e buscando esclarecer o paradeiro do senador.

O caso permanece em apuração, sem confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro tenha deixado o Brasil ou embarcado para os Estados Unidos.

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