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Política

Presidente do TST alerta empresários sobre demissões por motivação política após eleições

A legislação brasileira prevê medidas contra práticas discriminatórias no ambiente de trabalho, incluindo indenizações e possíveis decisões de reintegração de funcionários prejudicados.

Por Kelly Sales · 2 min de leitura

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, manifestou preocupação com a possibilidade de trabalhadores sofrerem represálias por suas posições políticas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10).

Em vídeo que circula nas redes sociais, o magistrado aborda a proteção dos direitos trabalhistas e a importância de assegurar a liberdade de escolha política dentro das empresas. A manifestação ocorre em meio à divulgação de publicações que incentivam empresários a demitir funcionários que votaram no presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A discussão ganhou repercussão após apoiadores do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) compartilharem campanhas de boicote a estabelecimentos comerciais e mensagens defendendo a dispensa de empregados por suas preferências eleitorais.

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. A Lei nº 9.029/1995 estabelece restrições a condutas que prejudiquem o acesso ou a permanência no emprego por razões discriminatórias.

Dependendo das circunstâncias, uma demissão motivada pela preferência política do trabalhador pode resultar em indenização por danos morais, reintegração ao emprego e outras medidas determinadas pela Justiça.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) também acompanha denúncias relacionadas ao assédio eleitoral. Até a tarde de terça-feira (27/10), o órgão havia recebido 2.364 denúncias dessa natureza, segundo levantamento divulgado pela imprensa.

Na quinta-feira (29/10), a Justiça do Trabalho determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, retirasse 14 publicações que incentivavam demissões ou restrições à contratação de pessoas em razão do voto nas eleições.

A decisão estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção dos conteúdos e multa em caso de descumprimento.

A orientação aos trabalhadores que enfrentarem ameaças, constrangimentos ou perseguição por motivos políticos é reunir provas, como mensagens, gravações e comunicados, e procurar o sindicato da categoria ou o Ministério Público do Trabalho.

O episódio reacende o debate sobre os limites do poder dos empregadores e a proteção da liberdade política no ambiente profissional, especialmente diante da polarização registrada após as eleições presidenciais.

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