Embaixada dos EUA reconhece vitória de Lula como definitiva e destaca resultado surpreendente
Documento diplomático aponta que a prorrogação da votação não comprometeu o resultado das eleições e registra avaliação de observadores internacionais sobre o processo eleitoral brasileiro.

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10). A avaliação consta em um relatório encaminhado ao Departamento de Estado americano na segunda-feira (26/10).
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento, a representação diplomática avaliou que a eleição transcorreu de maneira predominantemente pacífica e não identificou questionamentos de observadores internacionais capazes de comprometer a legitimidade do resultado.
O relatório também analisou as dificuldades registradas durante a votação, especialmente os problemas de transporte e acesso às seções eleitorais que levaram à prorrogação do horário em determinados locais.
A decisão de ampliar o funcionamento das seções até as 19h foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitações apresentadas pelas duas candidaturas à Presidência da República.
Apesar dos problemas de comunicação relacionados à mudança, a avaliação diplomática apontou que a quantidade de votos registrados após o horário regular foi insuficiente para modificar o resultado da disputa.
Dados do TSE confirmam diferença superior a 4,4 milhões de votos
De acordo com os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.
A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
O levantamento do TSE identificou 34.393 votos registrados após as 17h em todo o território nacional. Desse total, 32.399 ocorreram entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h.
Os números representam aproximadamente 0,03% dos votos contabilizados no segundo turno, percentual que não teria capacidade matemática de alterar o resultado presidencial.
Relatório aponta avaliação de observadores internacionais
A representação americana também mencionou o acompanhamento realizado por missões internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA).
A missão apontou falhas de comunicação relacionadas à prorrogação do horário de votação, mas não apresentou dúvidas sobre o resultado eleitoral. A análise foi registrada no relatório preliminar divulgado pela organização em 27 de outubro.
O documento diplomático também aborda a reação de Flávio Bolsonaro ao resultado e a possibilidade de contestação judicial. O candidato derrotado questionou a ampliação do horário de votação, mas os dados oficiais não indicam que a medida tenha modificado o resultado.
Avaliação da embaixada contrasta com declarações de Trump
A posição registrada pela representação diplomática americana contrasta com as declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na quinta-feira (29/10), Trump voltou a criticar a eleição brasileira e classificou o processo como uma vergonha. O republicano também afirmou que pretende conversar com Lula, mas evitou responder diretamente se reconhece o petista como vencedor legítimo da disputa.
Até aquela data, o governo americano não havia encaminhado uma mensagem formal de congratulações ao presidente brasileiro pela reeleição.
A avaliação da Embaixada dos Estados Unidos, portanto, representa o conteúdo de um relatório diplomático enviado a autoridades americanas e não deve ser confundida com um pronunciamento oficial de reconhecimento feito pela Casa Branca.
O resultado das eleições presidenciais brasileiras já foi anunciado pelo TSE e permanece respaldado pelos números oficiais da apuração.
Crédito da informação: Folha de S.Paulo, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).
