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Escolas de Itumbiara e Aruanã chegam à final de prêmio nacional de ciência; votação popular abre na segunda (23/11)

Alunos do Cepi Dom Veloso criaram herbicida natural de raiz de sorgo contra a tiririca; em Aruanã, colégio estadual desenvolveu boia solar que vigia a água do Araguaia. Veja como votar.

Por Kelly Sales · 4 min de leitura
Três estudantes do Cepi Dom Cândido Penso, de Aruanã, seguram o protótipo da boia solar que monitora a qualidade da água
Estudantes do Cepi Dom Cândido Penso, de Aruanã, com o protótipo da boia EcoRibeirinho (Foto: Seduc)

Duas escolas públicas do interior goiano estão entre as dez finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026, programa da Samsung que premia projetos de ciência criados por estudantes e professores para resolver problemas das suas comunidades. Uma é de Itumbiara, no Sul do Estado, e desenvolveu um herbicida natural feito com raiz de sorgo. A outra é de Aruanã, às margens do Rio Araguaia, e criou uma boia movida a energia solar que mede a qualidade da água.

Os dois projetos disputam a fase final com equipes do Amazonas, Maranhão, Paraíba, Bahia, São Paulo, Pernambuco e Sergipe. Além da avaliação de um júri especializado, o público também vai votar, a partir da segunda-feira (23/11), no site oficial do programa. Os vencedores serão anunciados na terça-feira (08/12).

Itumbiara: herbicida de sorgo contra a tiririca

Quem tem horta ou lavoura conhece a dor de cabeça: a tiririca é uma planta invasora difícil de eliminar, porque rebrota a partir de pequenos bulbos e tubérculos que ficam no solo. No Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Dom Veloso, em Itumbiara, os alunos decidiram atacar o problema com algo que o campo goiano tem de sobra: o sorgo.

O projeto Sorgonex usa extratos das raízes da planta para produzir um bioherbicida de baixo custo, que age antes da brotação. A ideia aproveita a alelopatia, capacidade que algumas plantas têm de liberar substâncias que atrapalham o crescimento de outras. Nos primeiros testes de laboratório, o extrato impediu a germinação da tiririca nas condições avaliadas, segundo a Samsung. O foco são os pequenos produtores rurais, que precisam de alternativas baratas para manter a horta e a lavoura limpas.

Dois estudantes do Cepi Dom Veloso, de Itumbiara, em laboratório com frascos do bioherbicida Sorgonex
Alunos do Cepi Dom Veloso, em Itumbiara, com amostras do Sorgonex, feito a partir de raízes de sorgo (Foto: Seduc)

A orientação é da professora Ayanda Ferreira Nascimento Lima, em parceria com o professor Arnaldo Ferreira Marques. É a segunda vez seguida que a escola de Itumbiara chega à final do programa. “Essa conquista só reforça ainda mais o potencial da rede estadual de ensino com foco na produção científica”, afirmou a professora à Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Aruanã: boia solar vigia a água do Araguaia

Em Aruanã, um dos destinos de pesca e temporada de praia mais conhecidos de Goiás, a pergunta partiu de quem vive do rio. Depois de episódios de mortandade de peixes e de mudanças na cor da água dos rios Araguaia e Vermelho, estudantes do Colégio Estadual Dom Cândido Penso foram conversar com pescadores e descobriram que faltava equipamento para medir o oxigênio da água.

Daí nasceu o EcoRibeirinho, uma boia movida a energia solar com sensores de pH, temperatura, turbidez e oxigênio dissolvido. O protótipo usa Internet das Coisas e envia os dados por rádio, sem depender de sinal de internet, o que faz diferença em trechos isolados do rio. A proposta prevê ainda alertas por aplicativos de mensagens quando a qualidade da água piorar.

Professores e estudantes de Aruanã posam à beira do Rio Araguaia
Equipe do EcoRibeirinho às margens do Araguaia, em Aruanã (Foto: Seduc)

O trabalho é orientado pelos professores Flaviane Borges Teixeira Medrado e Joannes de Souza Medrado e tem como estudantes Emanuel Borges Medrado, Pedro Kaio da Silva e Maria Júlia Florêncio Vieira. Antes de chegar à final, o projeto já tinha sido premiado em uma feira de ciências, o que rendeu bolsas de iniciação científica do CNPq aos alunos.

Entenda o Solve for Tomorrow

  • O que é: programa global da Samsung voltado a estudantes e professores da rede pública, que desenvolvem soluções com ciência e tecnologia para problemas reais da comunidade.
  • Edição: esta é a 13ª no Brasil. Os dez finalistas foram escolhidos entre 30 projetos semifinalistas de todo o país.
  • Goiás na final: Cepi Dom Veloso (Itumbiara) e Colégio Estadual Dom Cândido Penso (Aruanã).
  • Próxima etapa: as equipes passam por atividades preparatórias e apresentam os projetos ao público.

Serviço: como votar nas escolas goianas

  • Quando: a votação popular começa na segunda-feira (23/11).
  • Onde: no site oficial do programa, solvefortomorrowbrasil.com.br.
  • Em quem votar: procure os projetos Sorgonex (Itumbiara) e EcoRibeirinho (Aruanã).
  • Resultado: terça-feira (08/12).

Não é a única boa notícia da rede estadual nesta semana: o Uai mostrou como alunos das Escolas do Futuro de Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso saíram do inglês básico ao avançado em um intercâmbio pago pelo Estado. Em Itumbiara, o Uai também acompanhou a pesquisa de preços dos combustíveis feita pelo Procon.

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