Anápolis perde cerca de 500 dispositivos contra dengue e pede que moradores não mexam nos baldinhos
Prefeitura já instalou 4.820 equipamentos do método Wolbachia e prevê mais de 10 mil; retirada dos recipientes pode comprometer a estratégia de prevenção.
Quase 500 recipientes usados no combate à dengue desapareceram de pontos públicos de Anápolis, segundo balanço divulgado pela prefeitura em (28/10). Os equipamentos fazem parte do método Wolbachia, que busca reduzir a capacidade do mosquito Aedes aegypti de transmitir dengue, zika e chikungunya. O município pediu que a população não retire nem altere a posição dos chamados baldinhos verdes.
Até a divulgação do balanço, as equipes municipais haviam colocado 4.820 dispositivos em circulação. A previsão é instalar 10.322 recipientes em 5.161 pontos, com dois equipamentos por local, até a segunda semana de novembro. O desaparecimento de aproximadamente 500 unidades representa pouco mais de 10% do total já instalado, embora o número seja uma estimativa informada pela administração.
Por que os baldinhos são importantes
Os recipientes contêm ovos de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Depois de se desenvolverem, os mosquitos liberados passam a integrar a população local e podem transmitir a bactéria às gerações seguintes. A presença da Wolbachia dificulta a multiplicação dos vírus dentro do inseto, diminuindo a possibilidade de transmissão. Não se trata de um mosquito geneticamente modificado.
O projeto é executado pela Prefeitura de Anápolis em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A colocação dos equipamentos ocorre exclusivamente em espaços públicos escolhidos por equipes técnicas. A prefeitura não detalhou, na publicação consultada, se os desaparecimentos decorreram de furtos, danos ou descarte indevido.
O que o morador deve fazer
A orientação é não abrir, recolher, descartar ou deslocar os baldinhos. A interferência pode prejudicar a liberação dos mosquitos e o acompanhamento da estratégia. Após a fase inicial, as equipes continuarão fazendo manutenção e substituições periódicas.
A tecnologia também não substitui os cuidados tradicionais contra a dengue. A população deve continuar eliminando água parada, vedando caixas-d’água e retirando objetos que possam se tornar criadouros. A redução da transmissão depende de um conjunto de medidas de vigilância e prevenção.
Fonte: Prefeitura de Anápolis, comunicado de (28/10). Foto: Victor Melo / Prefeitura de Anápolis.
