Durante anúncio da medida, presidente defendeu o fim das apostas, rebateu preocupação dos clubes de futebol e citou o Corinthians ao falar sobre o impacto das bets.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25/09) a proibição das bets no Brasil. Com a medida, apostadores terão até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas.
Durante o anúncio, Lula defendeu a decisão e afirmou que o objetivo é reduzir os impactos das apostas sobre a renda das famílias brasileiras, principalmente entre a população de menor renda. O presidente também respondeu às preocupações do futebol brasileiro com a perda dos contratos de patrocínio mantidos por empresas do setor.
Torcedor declarado do Corinthians, Lula usou o próprio clube como exemplo durante o discurso. O presidente lembrou que participou da campanha organizada pela Gaviões da Fiel para ajudar no pagamento da dívida relacionada à Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal.
“Eu depositei R$ 1.013 para ajudar o Corinthians a pagar a dívida”, afirmou.
Ao abordar a situação financeira dos clubes, Lula questionou a dependência do futebol em relação ao dinheiro das empresas de apostas e rebateu o argumento de que a retirada desses patrocínios poderia comprometer as equipes.
“Não dá para os times dizerem para mim: ‘sem as bets, os times acabam’”, declarou.
Lula cita títulos conquistados antes das bets
Para defender o argumento, o presidente relembrou conquistas históricas de clubes brasileiros ocorridas muito antes da expansão das casas de apostas no país.
“O Santos era o melhor time do mundo e não tinha bets. E foi duas vezes campeão do mundo. O Flamengo foi campeão do mundo. O Internacional foi campeão do mundo. O Grêmio foi campeão do mundo. O São Paulo foi três vezes campeão do mundo. O Corinthians foi duas vezes campeão do mundo”, afirmou.
Lula ainda aproveitou o momento para brincar com a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras ao citar o clube paulista durante a fala. Logo depois, esclareceu que se tratava de uma provocação futebolística.
Presidente questiona dependência dos clubes
Outro ponto levantado por Lula foi a participação dos torcedores nas receitas dos clubes. Segundo o presidente, quem acompanha futebol já contribui financeiramente de diferentes maneiras, como na compra de ingressos, camisas e produtos oficiais.
“O torcedor já torce para o time, já vai no estádio, já compra camisa para a mulher, já compra camisa para o filho”, disse.
Lula afirmou ainda que informações apresentadas ao governo indicam que as bets representam entre 6% e 7% do orçamento de um time de futebol. O presidente não detalhou, durante a declaração, a origem ou a metodologia utilizada para chegar ao percentual.
Governo cita impacto das apostas sobre famílias
Ao explicar a decisão de proibir as plataformas, Lula afirmou que uma das principais preocupações do governo está no comprometimento da renda familiar com apostas.
Segundo o presidente, recursos que deveriam ser destinados à alimentação e a outras despesas essenciais não podem ser consumidos pelas plataformas na expectativa de ganhos.
“A gente não vai permitir que você seja utilizado por cartão de crédito ou por bets para gastar o dinheiro do leite do seu filho, o dinheiro do pão do seu filho, o dinheiro da refeição”, declarou.
Lula também relacionou o crescimento das apostas ao endividamento e aos problemas provocados pelo vício em jogos. Segundo ele, a intenção da medida é proteger principalmente as pessoas mais vulneráveis financeiramente.
“Nós estamos tentando livrar o povo mais humilde desse país de se matarem por conta de uma perspectiva de ganhar na loteria”, afirmou.
Apostadores terão prazo para retirar valores
Com a proibição anunciada pelo governo, os usuários das plataformas terão um período para retirar o dinheiro que ainda estiver disponível nas contas.
O prazo informado é até 5 de outubro. A medida estabelece um período de transição para que os apostadores façam voluntariamente o resgate dos recursos antes da interrupção das operações das plataformas atingidas pela decisão.
Ao final do anúncio, Lula afirmou que houve discussões dentro do governo sobre o alcance da medida e agradeceu à equipe responsável pela elaboração das mudanças.
“Já que tem que fazer, vamos fazer o que tem que ser feito. Acabar com a bet”, concluiu o presidente.