Atrasos em medições e repasses podem levar construtoras a interromper obras a partir de 25/09.

A greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal começa a provocar reflexos na construção civil e pode levar à paralisação de obras financiadas pelo banco em Goiás. A preocupação envolve principalmente empreendimentos que dependem de medições, liberação de recursos e outras etapas realizadas pela instituição financeira.
No 13º dia de paralisação, a Federação Nacional das Pequenas Construtoras (Fenapc) informou que procedimentos como análise de novos contratos, medições, processos de conformidade, repasses e assinaturas estão sendo afetados pela greve. Segundo a entidade, empresas que dependem diretamente desses recursos avaliam interromper obras a partir de 25/09 caso a situação não seja normalizada.
Dados apresentados pela Fenapc apontam que Goiás e o Distrito Federal possuem cerca de 60 mil unidades com contratos vigentes junto à Caixa. Ainda não há, porém, detalhamento público sobre quantas dessas unidades estão localizadas exclusivamente em Goiás nem quais municípios e empreendimentos goianos podem ser atingidos.
A preocupação do setor está relacionada ao funcionamento do modelo de financiamento das obras. Em diferentes empreendimentos, a liberação dos recursos ocorre conforme a execução avança e as etapas são medidas e validadas. Com atrasos nesses procedimentos, construtoras podem enfrentar dificuldades para receber valores previstos e manter pagamentos relacionados às obras.
Segundo a Fenapc, a paralisação também pode gerar reflexos sobre fornecedores e trabalhadores da construção civil. A entidade estima ainda que, mesmo após o encerramento da greve, o acúmulo de processos pode exigir aproximadamente um mês para ser normalizado.
Greve continua sem acordo
A paralisação nacional começou em 10/09 e permanece sem previsão de encerramento. Em votação realizada em 21/09, 59,3% dos empregados participantes rejeitaram uma nova proposta apresentada pela Caixa. O Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos trabalhadores, permanece como principal ponto de impasse nas negociações.
Uma tentativa de mediação realizada no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 23/09 também terminou sem acordo entre a Caixa e representantes dos empregados, mantendo a greve.
Apesar da paralisação, a Caixa mantém serviços por aplicativos, terminais de autoatendimento, lotéricas e outros canais eletrônicos. No financiamento imobiliário, entretanto, determinadas etapas dependem da atuação de setores internos do banco. Análise de propostas, conferência documental, liberação de documentos e assinatura de contratos estão entre os procedimentos que podem sofrer atrasos.
Até o momento, não há confirmação pública de uma paralisação geral das obras em Goiás a partir de 25/09. Também não foram divulgados dados consolidados sobre o número de empreendimentos efetivamente parados no estado ou o volume de pagamentos já atrasados em razão da greve.