Alternância entre chuva, calor e baixa umidade pode agravar doenças pulmonares; especialista orienta sobre prevenção e sinais de alerta.

Após semanas de tempo seco, Goiânia registrou a chegada das primeiras chuvas, mas a mudança nas condições climáticas também traz um alerta para a saúde. A alternância entre períodos de chuva, calor intenso e baixa umidade pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre idosos e pessoas com doenças pulmonares crônicas.
O assunto ganha destaque nesta quinta-feira (1º), quando é celebrado o Dia Nacional do Idoso. Além das condições climáticas, especialistas chamam a atenção para a importância da reabilitação pulmonar e da compreensão correta das orientações de saúde como formas de prevenção.
Goiânia passou cerca de 70 dias sem chuvas consistentes até o início de setembro, segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). Até 22 de setembro, o volume acumulado no mês havia chegado a 55 milímetros, o equivalente a 177% da média esperada para setembro, conforme dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
A mudança repentina entre períodos secos e úmidos exige adaptação do organismo e pode ser especialmente sentida por quem já enfrenta problemas respiratórios.
Segundo a doutora em Reabilitação Pulmonar em Doenças Neurológicas e Letramento em Saúde e docente de Fisioterapia da Estácio em Goiânia, Letícia de Araújo Morais, tanto o tempo seco quanto o aumento da umidade podem provocar impactos no sistema respiratório.
“O ar seco resseca as vias respiratórias e torna mais espessa a secreção, o que dificulta a limpeza dos brônquios. Já a umidade e a queda de temperatura favorecem a inflamação e a proliferação de vírus e fungos. Quando o organismo alterna entre essas duas condições em poucos dias, o esforço de adaptação é maior, e quem já tem uma doença pulmonar sofre mais”, explica.
Idosos estão entre os grupos que exigem maior atenção
Idosos e pessoas diagnosticadas com doenças respiratórias crônicas, como asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e bronquite, estão entre os mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
Pacientes com sequelas neurológicas também demandam cuidados específicos. Isso porque algumas condições podem reduzir a força da musculatura respiratória e dificultar a tosse e a eliminação de secreções.
“Nesses casos, uma simples irritação pode evoluir para uma infecção. Por isso, a prevenção precisa começar antes da crise”, afirma Letícia.
Falta de ar, tosse e mudança no catarro são sinais de alerta
Familiares e cuidadores devem observar possíveis alterações no estado de saúde do idoso. O aumento da falta de ar ou do cansaço durante atividades que antes eram realizadas normalmente pode ser um dos primeiros sinais de agravamento.
Tosse mais frequente, mudança na quantidade ou na coloração do catarro, chiado no peito e febre também precisam ser observados.
Em situações mais graves, a recomendação é procurar atendimento imediatamente.
“Sonolência, confusão mental ou lábios arroxeados indicam necessidade de atendimento imediato”, alerta a especialista.
Reabilitação pulmonar pode ajudar na autonomia do idoso
A reabilitação pulmonar reúne diferentes estratégias de cuidado, como exercícios respiratórios, técnicas para auxiliar na eliminação de secreções, condicionamento físico e educação do paciente.
O objetivo não é apenas melhorar a capacidade respiratória, mas também contribuir para que o idoso consiga manter a independência nas atividades cotidianas.
“O objetivo é fortalecer a musculatura da respiração, facilitar a eliminação de secreções e devolver ao idoso a confiança para realizar as atividades do dia a dia. Não se trata apenas de respirar melhor. Trata-se de manter a independência, caminhar, cuidar de si e participar da vida familiar”, destaca Letícia.
Em períodos de variação do clima, medidas adotadas dentro de casa também podem contribuir para reduzir os riscos. A orientação é manter uma boa hidratação, seguir corretamente os exercícios respiratórios prescritos e deixar os ambientes ventilados e livres de poeira e mofo.
Também é recomendado evitar mudanças bruscas de temperatura e manter a vacinação atualizada, especialmente contra gripe e pneumonia, conforme indicação dos profissionais de saúde.
Informação também faz parte da prevenção
Além dos cuidados físicos, a capacidade de compreender as orientações recebidas durante o atendimento pode influenciar diretamente o tratamento. O conceito é conhecido como letramento em saúde.
“De nada adianta a prescrição correta se o paciente não entende o que deve fazer. Um idoso que compreende o tratamento, reconhece os sinais de alerta e sabe quando ajustar os cuidados tem muito mais chance de atravessar essa fase sem complicações”, afirma Letícia.
Uma das estratégias utilizadas para identificar possíveis dificuldades é pedir que o próprio paciente demonstre como realiza determinado procedimento, como o uso de um inalador. Dessa forma, o profissional consegue identificar e corrigir erros que poderiam comprometer o tratamento.
“Muitos erros de técnica passam despercebidos e reduzem o efeito do medicamento. Quando pedimos que a pessoa mostre como faz, conseguimos corrigir na hora”, explica.
A especialista também destaca a importância de adaptar a comunicação às necessidades de cada paciente, com linguagem simples, orientações objetivas e informações escritas de forma legível. A participação de familiares e cuidadores também pode contribuir para que as recomendações sejam seguidas corretamente.
“Quando o profissional fala a língua do paciente, a adesão ao tratamento aumenta e o idoso passa a ser protagonista do próprio cuidado”, conclui.