
A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em segunda votação, o Projeto de Lei 309/2025, da vereadora Aava Santiago (PSDB), que cria o Programa Bebê a Bordo, iniciativa que promete mudar a forma como o poder público cuida das mulheres no momento mais sensível do pós-parto. O projeto agora segue para sanção do prefeito Sandro Mabel.
A ideia é simples, mas toca um dos maiores gargalos da rede pública: garantir que nenhuma mulher deixe a maternidade exausta, vulnerável ou sem rede de apoio e precise descobrir sozinha como voltar para casa com um recém-nascido no colo. Pelo texto, o município deverá oferecer transporte adequado e humanizado, utilizando ambulâncias ou veículos preparados para esse deslocamento, sempre mediante avaliação médica ou da assistência social.
O debate ganhou força porque a realidade mostra que o pós-parto imediato é um período de alta fragilidade. No último relatório de dados divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra que Goiânia registrou 18.689 nascidos vivos em 2021. Desse total, 68,2% foram partos cesáreos, procedimento que exige recuperação mais lenta e dificulta a locomoção da mãe nas primeiras horas e dias após o nascimento.
Essas informações ajudam a dimensionar o impacto de uma política como o Bebê a Bordo. Em muitos casos, a mulher recebe alta ainda com dores, com a mobilidade reduzida e sem familiares para buscá-la. O trajeto até casa, que deveria ser o fim de um ciclo de cuidado, muitas vezes se torna um momento de risco. Estudos de vigilância em mortalidade materna indicam que o período puerperal é um dos mais críticos para a saúde da mãe e do bebê, especialmente quando há fragilidade socioeconômica ou ausência de apoio estruturado.
A proposta também autoriza parcerias com hospitais, entidades privadas e organizações sociais, o que abre caminho para transformar uma ação pontual em uma política pública permanente. Segundo Aava Santiago, o objetivo principal não é criar nova despesa, mas organizar um protocolo que ainda não existe na rede municipal.
Ao estruturar o transporte humanizado, Goiânia passa a reconhecer oficialmente que o cuidado com a maternidade não termina no momento da alta. O programa pretende preencher essa lacuna e estabelecer um novo padrão de proteção, colocando o município em sintonia com práticas modernas de acolhimento no pós-parto.
Agora, com o texto aprovado pelos vereadores, cabe ao prefeito Sandro Mabel decidir se a iniciativa se tornará lei e começará a ser incorporada à rotina das maternidades públicas da capital. O Bebê a Bordo pode se tornar uma política simples, mas transformadora para milhares de mães goianienses.