Os resultados do Ideb divulgados recentemente colocam Goiás, mais uma vez, entre os estados que mais avançam na educação brasileira, com uma nota histórica. É uma conquista que merece ser celebrada, mas, sobretudo, compreendida em sua essência. Por trás de cada índice, de cada nota e de cada escola bem avaliada existem pessoas que fazem a educação acontecer todos os dias: professoras, professores, coordenadores, servidores, estudantes e famílias que acreditam na escola pública.
Há um dado que considero especialmente significativo. Entre as escolas estaduais mais bem colocadas, a ampla maioria pertence à rede pública civil. Esse resultado demonstra que a excelência da educação goiana não está concentrada em um único modelo de gestão. Ao contrário: ela está presente em centenas de escolas que, com dedicação, compromisso pedagógico e valorização do trabalho coletivo, conseguem transformar vidas diariamente. As escolas militares têm recebido muitos incentivos financeiros e sociais, contudo, os números revelam que as escolas públicas civis são protagonistas desse avanço, o que ficou demonstrado nos lugares de destaque que conquistaram com muito trabalho.
Como professora e presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Goiás, sempre defendi que nenhuma política educacional alcança resultados duradouros sem a valorização dos profissionais da educação. Não existe qualidade de ensino sem professores respeitados, bem formados, valorizados e com condições dignas para exercer sua missão. O Ideb não é obra do acaso nem resultado de uma hora para outra. Ele é consequência do esforço cotidiano de quem prepara aulas, acompanha estudantes, enfrenta desafios e insiste em acreditar que a educação continua sendo o caminho mais seguro para transformar uma sociedade.
Tenho trabalhado para fortalecer a educação pública goiana por meio da fiscalização das políticas educacionais, da defesa do financiamento adequado, da valorização da carreira docente e dos técnicos, da realização de audiências públicas e do diálogo permanente com sindicatos, universidades, gestores e comunidades escolares, por meio da construção de pontes que garantam a oitiva das vozes de quem vive a escola cotidianamento, especialmente, nas decisões do Parlamento.
Também acredito que os bons resultados devem servir como incentivo para enfrentarmos os desafios que ainda persistem. O trabalho por melhores condições profissionais é ininterrupto, bem como aquele realizado para ampliar o acesso à educação infantil, fortalecer o ensino médio, garantir inclusão e investir continuamente na formação dos educadores. Comemorar conquistas não significa acomodar-se, mas reconhecer o caminho percorrido para seguir em desenvolvimento.
Por isso, faço questão de dedicar este momento aos profissionais da educação pública. O Ideb mede indicadores, mas quem produz esses resultados são pessoas. Goiás tem razões para celebrar, e a maior delas atende pelo nome de educação pública.
Bia de Lima
Presidente da comissão de Educação da Alego