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Boletim Focus: mercado mantém inflação de 2026 em 5,22%, acima do teto, e reduz projeções do PIB e do dólar

Projeção do IPCA ficou parada pela segunda semana, 0,72 ponto acima do limite de 4,5%. Analistas também cortaram o crescimento esperado da economia e mantiveram a aposta de Selic em 13,25% no fim do ano.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Cédulas de R$ 100, contas de luz e água e calculadora de celular, ilustrando a inflação projetada pelo Boletim Focus

O mercado financeiro continua apostando que a inflação de 2026 vai estourar o limite fixado pelo governo. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (19/10), a mediana das projeções para o IPCA, o índice oficial de preços, ficou em 5,22% para o ano, o mesmo número da semana passada. É 0,72 ponto percentual acima do teto da meta, que é de 4,5%.

A estabilidade vem depois de uma alta forte. No começo de outubro, a projeção estava em 5,01%. Na edição da semana passada, ela subiu para 5,22%, e agora os analistas mantiveram a conta. O boletim reúne as estimativas de cerca de cem bancos, corretoras e consultorias e sai toda segunda-feira.

Projeção para 2027 sobe

O sinal que mais chamou atenção nesta edição está no ano que vem. A projeção do IPCA de 2027 subiu de 4,30% para 4,32%, ainda dentro da margem de tolerância, mas cada vez mais longe do centro da meta, de 3%. Para 2028, a estimativa caiu de 3,79% para 3,75%, e para 2029 ficou parada em 3,50%.

O IGP-M, índice que costuma corrigir os contratos de aluguel, tem projeção de 5,26% para 2026, quase igual à da semana anterior (5,27%). Para quem vai renovar o contrato nos próximos meses, é uma referência do reajuste que pode aparecer na conta.

Economia cresce menos e dólar fica mais barato

O mercado também passou a esperar uma economia mais fraca. A previsão de crescimento do PIB em 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. Para 2027, o corte foi maior: de 1,40% para 1,32%. A conta de 2028 recuou de 1,83% para 1,81%.

Já o dólar deve terminar o ano mais barato do que se imaginava. A cotação esperada para dezembro passou de R$ 5,15 para R$ 5,13. Para o fim de 2027, a projeção caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22. Um real mais forte ajuda a segurar o preço de produtos importados e de itens que dependem de insumos de fora, como combustíveis e alguns alimentos.

Juros: corte de 0,5 ponto até dezembro

A taxa básica de juros, a Selic, está hoje em 13,75% ao ano. O Focus manteve a aposta de que ela termina 2026 em 13,25%, o que indica um corte total de 0,5 ponto percentual nas duas reuniões que faltam do Comitê de Política Monetária (Copom). A próxima está marcada para terça-feira (03/11) e quarta-feira (04/11), e a última do ano, para terça-feira (08/12) e quarta-feira (09/12).

Para os anos seguintes, as projeções não se mexem há meses: Selic de 12% no fim de 2027, de 10,5% em 2028 e de 10% em 2029.

Entenda: o que significa estourar o teto

Desde 2025, o Brasil segue a chamada meta contínua de inflação. O alvo é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, o índice pode variar de 1,5% a 4,5%. Pela regra, a meta só é considerada descumprida quando a inflação acumulada em 12 meses fica fora desse intervalo por seis meses seguidos. Quando isso acontece, o presidente do Banco Central precisa explicar ao ministro da Fazenda, em carta pública, por que o alvo não foi alcançado e o que será feito para voltar a ele.

Inflação acima da meta pesa no Copom. Com preços subindo mais que o previsto, o Banco Central tende a cortar os juros com mais cautela. É por isso que o mercado espera uma redução pequena da Selic até o fim do ano, mesmo com a economia perdendo fôlego.

O que muda para você

  • Compras do mês: inflação de 5,22% significa que, em média, o que custava R$ 100 no começo do ano deve custar cerca de R$ 105,22 em dezembro. Comparar preços entre mercados faz mais diferença nesse cenário.
  • Crédito e parcelas: com a Selic ainda perto de 13% no fim do ano, empréstimo, financiamento e cartão continuam caros. Antes de parcelar, vale olhar o custo efetivo total da operação.
  • Poupança e investimentos: juro alto favorece aplicações atreladas à Selic e ao CDI, como Tesouro Selic e CDBs, que seguem rendendo acima da inflação.
  • Aluguel: o IGP-M projetado em 5,26% dá uma ideia do reajuste para quem tem contrato corrigido por esse índice.

Próximos passos

O próximo Focus sai na segunda-feira (26/10), um dia depois do segundo turno da eleição presidencial. A decisão do Copom sobre os juros será anunciada na quarta-feira (04/11), no fim da tarde.

O Uai acompanha de perto o que mexe no seu bolso. Compartilhe esta matéria com quem está planejando as compras de fim de ano e leia também: Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 185 milhões nesta terça-feira (20/10) e feirão de empregos em Goiânia tem mais de 10 mil vagas.

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