Ônibus 30% mais rápidos: BRS estreia na Avenida T-63, em Goiânia, em janeiro; veja o que muda
Nove ônibus de piso baixo e ar-condicionado já foram entregues. Sistema terá faixa preferencial e semáforos sincronizados, e a passagem segue em R$ 4,30.

Quem pega ônibus na Avenida T-63, em Goiânia, vai ver uma frota diferente a partir de janeiro de 2027. O Governo de Goiás e a Prefeitura apresentaram na sexta-feira (23/10) os nove primeiros ônibus do BRS, sigla em inglês para Bus Rapid Service, um sistema que promete deixar as viagens até 30% mais rápidas. A ideia é simples de explicar: dar preferência ao ônibus no trânsito, com faixa reservada, semáforos sincronizados e controle da operação em tempo real.
Os veículos têm pintura prateada, para se diferenciar dos ônibus comuns da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), piso baixo, ar-condicionado e motor traseiro. A frota inicial será de 15 ônibus: além dos nove já entregues, outros seis devem chegar até dezembro. A passagem não muda e continua em R$ 4,30, com meia tarifa de R$ 2,15.
Como vai funcionar na T-63
A T-63 foi escolhida para estrear o modelo. Na avenida, a faixa da direita fica reservada para ônibus, motos, ambulâncias e viaturas policiais, e o Governo promete fiscalização para impedir que carros particulares ocupem o espaço. O ganho de tempo depende muito disso: um ônibus preso no congestionamento junto com os carros perde boa parte da vantagem.
A outra peça é a chamada metronização. Os semáforos passam a ser controlados em tempo real, e o sistema monitora o andamento das viagens para manter os intervalos entre um ônibus e outro mais regulares. Segundo o Governo de Goiás, o programa prevê 24 corredores e cerca de 300 quilômetros de linhas com esse tipo de controle na Grande Goiânia.
Os pontos de ônibus da T-63 também vão mudar. Os novos abrigos terão iluminação de LED alimentada por painéis solares, câmeras com inteligência artificial e QR Code para o passageiro consultar informações da viagem em tempo real pelo celular.
BRS não é BRT
Muita gente confunde as duas siglas, e a diferença importa. O BRT, como o Norte-Sul, tem pista separada do resto do trânsito, estações fechadas e cobrança da passagem antes do embarque. O BRS é mais leve: usa a avenida que já existe, reserva uma faixa, mexe nos semáforos e organiza melhor a operação, sem grandes obras de estação.
O prefeito Sandro Mabel resumiu assim durante a apresentação: “Não é um BRT, mas é um ônibus que vai andar 30% mais rápido. É o ônibus da metronização”. Para ele, viagens mais curtas e confortáveis podem convencer parte dos motoristas e motociclistas a deixar o veículo em casa.
Próximas avenidas
Depois da T-63, o plano é levar o BRS para as avenidas Castelo Branco e 85, dois dos corredores mais movimentados da capital. Ainda não há data divulgada para essas etapas.
O governador Daniel Vilela afirmou que mais de 70% das ações previstas na reestruturação do transporte coletivo da Grande Goiânia já foram entregues. O pacote soma mais de R$ 2,1 bilhões em investimentos, em parceria com a RMTC e as prefeituras da região metropolitana. Ele também garantiu que a modernização não vai provocar reajuste da tarifa, congelada desde 2019.
O que muda para você
- Quando: a operação na Avenida T-63 está prevista para janeiro de 2027.
- Quanto custa: a mesma tarifa de hoje, R$ 4,30 a inteira e R$ 2,15 a meia.
- Quem dirige carro na T-63: a faixa da direita será dos ônibus, motos, ambulâncias e viaturas. Fique atento à sinalização e à fiscalização.
- Como reconhecer: os ônibus do BRS têm cores diferentes das dos convencionais, piso baixo e o letreiro “Novo BRS”.
O Uai vai acompanhar a chegada dos seis ônibus que faltam e a definição das linhas que vão rodar no novo sistema. Leia também a reportagem sobre os 93 anos de Goiânia e os desafios da capital e compartilhe esta matéria com quem usa a T-63 todo dia.
