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Soja em Goiás rende 15,4% mais por hectare em dez anos; veja as cidades campeãs

Lavouras goianas chegaram a 3,9 toneladas por hectare na safra 2025/2026, ritmo acima da média nacional. Produção passou de 20 milhões de toneladas.

Por Kelly Sales · 3 min de leitura
Lavoura de soja verde em Goiás com silos de armazenagem ao fundo

Cada hectare de soja plantado em Goiás produz hoje bem mais do que produzia há uma década. Levantamento da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), divulgado na sexta-feira (23/10), mostra que a produtividade das lavouras goianas cresceu 15,4% entre as safras 2016/2017 e 2025/2026 e chegou a 3,9 toneladas por hectare, o equivalente a cerca de 65 sacas de 60 quilos. No mesmo período, a média brasileira avançou 9,4%.

O número ganha peso justamente agora, quando os produtores estão com as plantadeiras no campo para a safra 2026/2027. É a produtividade, e não só o tamanho da área, que define quanto sobra no bolso do agricultor depois de pagar sementes, adubo, defensivos e diesel.

Produção quase dobrou

Segundo os dados da Conab usados pela Seapa, a produção de soja em Goiás cresceu 81,3% em dez anos e alcançou 20,1 milhões de toneladas. A área plantada também aumentou, 57,2%, e chegou a 5,1 milhões de hectares.

A conta mostra por que o ganho por hectare importa: a colheita cresceu mais rápido do que a área. Se a produtividade tivesse ficado parada no patamar de 2016, o estado precisaria de muito mais terra para colher o mesmo volume de grãos.

As cidades campeãs

Entre os municípios com maior rendimento médio em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, estão Uruana, Piracanjuba, Morrinhos, Caldas Novas, Marzagão, Jataí, Chapadão do Céu, Professor Jamil, Campos Belos e Ceres. A lista mistura cidades do Sul e do Sudoeste, regiões tradicionais do grão, com municípios do Centro goiano e do Norte do estado.

Já os maiores saltos de produtividade em dez anos foram registrados em Aparecida do Rio Doce, Estrela do Norte e Campinaçu, cidades que entraram mais recentemente no mapa da soja e ainda têm espaço para crescer.

O que explica o salto

A Seapa atribui o resultado a um conjunto de fatores que mudaram a forma de plantar no Cerrado:

  • Sementes adaptadas ao solo e ao clima do Cerrado;
  • Plantio direto e rotação de culturas, que protegem o solo e quebram o ciclo de pragas;
  • Inoculação com bactérias que fixam nitrogênio do ar na planta e reduzem a necessidade de adubo nitrogenado;
  • Mecanização e agricultura de precisão, com uso mais eficiente de insumos;
  • Manejo integrado de pragas e doenças e melhores técnicas de semeadura.

O Governo de Goiás também cita programas de apoio ao produtor, como o Mecaniza Campo, o FCO Rural, o Programa Estadual de Bioinsumos e a assistência técnica da Emater, que chega principalmente aos pequenos e médios agricultores.

Entenda

Produtividade é quanto se colhe em cada hectare, uma área de 10 mil metros quadrados, pouco maior que um campo de futebol oficial. Quando ela sobe, o produtor colhe mais sem precisar abrir área nova, o que reduz o custo por saca e a pressão sobre a vegetação nativa. Para a economia goiana, a soja movimenta transporte, armazéns, indústrias de esmagamento e o comércio das cidades do interior.

O resultado da nova safra só vai aparecer na colheita, a partir do início de 2027, e depende muito da regularidade das chuvas nos próximos meses. O Uai acompanha o plantio e os números do agro goiano. Leia também a previsão do tempo para Goiás neste domingo e compartilhe esta matéria com quem vive do campo.

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