Tensão com Gracinha expõe fissuras na base e aumenta a pressão sobre Mendanha na corrida pelo Senado.

Durante sabatina na TV Bandeirantes, nesta quinta-feira (27/08), Gracinha Caiado (União Brasil), candidata ao Senado por Goiás, afirmou que vem sendo alvo de ataques do Gustavo Mendanha (PRD), ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e atual candidato ao Senado.
Segundo Gracinha, os ataques ocorrem principalmente por meio de memes, notícias e perfis falsos que, segundo ela, seriam utilizados para criar conflitos e alimentar a discórdia no ambiente político.
Questionada diretamente se estava se referindo a Gustavo Mendanha, Gracinha confirmou. “Sim”, respondeu.
A candidata afirmou ainda que os episódios acontecem com frequência durante seus compromissos políticos. “Cada vez que eu chego na carreata, tem um meme, tem uma notícia contra mim, me afronta”, declarou.
Gracinha também associou os episódios ao preconceito contra mulheres na política. Para ela, existem homens que têm dificuldade em aceitar uma mulher ocupando espaços de destaque e crescendo nas pesquisas eleitorais.
“Você não pode ter um preconceito contra a mulher, onde o preconceito fala mais alto do que os argumentos, pelo simples fato de eu ser mulher e estar na frente das pesquisas”, afirmou.
Ao defender sua candidatura ao Senado, Gracinha disse que a decisão não foi motivada por vaidade, mas pelo propósito de continuar atuando na área social. Ela citou sua atuação no Goiás Social e afirmou que pretende levar essa experiência para o Senado.
“Eu não me candidatei como senadora com vaidade. Eu me candidatei com propósito. Para poder ajudar, continuar ajudando no social”, declarou.
A declaração coloca Gracinha e Mendanha no centro de mais um episódio de tensão na disputa pelas duas vagas de Goiás no Senado Federal.
Análise Uai
A fala de Gracinha mostra que a tensão com Mendanha está longe de ter terminado. O que antes poderia ficar restrito aos bastidores agora ganha exposição pública e coloca novamente a imagem do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia no centro de um desgaste político.
Para Mendanha, o momento exige cautela. Em uma disputa pelo Senado na qual precisa recuperar protagonismo e ampliar sua presença estadual, entrar em uma disputa pública com uma integrante do mesmo campo político pode custar caro.
E o cenário pode ficar ainda mais complicado se ele não conseguir se eleger. A derrota, por si só, já representaria um revés para quem tenta retomar espaço na política. Mas chegar ao fim da eleição com aliados se afastando ou demonstrando preferência por outros nomes pode produzir um efeito ainda mais profundo.
Na política, perder uma eleição é uma coisa. Perder aliados antes mesmo de ela terminar é outra, e pode ser muito mais difícil de reconstruir. Para Mendanha, portanto, a disputa não envolve apenas conquistar uma das vagas ao Senado, mas preservar sua imagem e seu capital político para o que vier depois de outubro.