Prefeito flagra médicos em sala de descanso durante plantão e determina saída de profissionais em Pernambuco
Fiscalização ocorreu após reclamações sobre demora no atendimento. Gestor acusou profissionais de suposto envolvimento amoroso, mas entidades médicas contestaram a abordagem.

Uma fiscalização realizada pelo prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira (PP), no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, em Pernambuco, provocou repercussão após o gestor encontrar dois médicos em uma sala de descanso durante o plantão. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira (04/11), após denúncias de demora no atendimento aos pacientes.
Segundo o prefeito, três médicos estavam escalados para trabalhar na unidade, mas apenas um realizava atendimentos no momento da fiscalização. Ao entrar em uma sala de descanso, o gestor encontrou um médico e uma médica e passou a questionar a ausência dos profissionais na área de atendimento.
A abordagem foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais. Durante a fiscalização, Carlinhos da Pedreira acusou os médicos de estarem dormindo e de manterem um suposto envolvimento amoroso durante o expediente. O prefeito também utilizou palavras ofensivas, determinou que os profissionais deixassem o hospital e solicitou a intervenção de policiais.
Apesar das declarações, não foram apresentadas provas de que os médicos mantinham um relacionamento amoroso ou praticavam qualquer conduta íntima durante o plantão. Os dois não foram presos.
Sindicato contesta acusações e defende direito ao descanso
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) repudiou a abordagem e afirmou que os profissionais estavam em período de descanso após aproximadamente 12 horas de atividade assistencial.
Segundo a entidade, outro médico permanecia responsável pelos atendimentos enquanto os dois profissionais descansavam. O sindicato argumentou que o repouso durante plantões prolongados é previsto nas normas de trabalho e não representa, necessariamente, abandono das atividades.
O Simepe também criticou a exposição dos médicos nas redes sociais e afirmou que a presença de profissionais de sexos diferentes em uma sala de descanso não comprova as acusações feitas pelo prefeito.
A entidade solicitou esclarecimentos à administração municipal e defendeu a apuração das condições de trabalho e da organização dos plantões no hospital.
Conselho de Medicina critica exposição dos profissionais
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) também se manifestou sobre o episódio e repudiou a forma como a fiscalização foi conduzida.
A entidade destacou que gestores públicos têm o direito e o dever de fiscalizar os serviços de saúde, mas ressaltou que eventuais irregularidades precisam ser apuradas por meio de procedimentos formais, respeitando os direitos dos profissionais envolvidos.
O conselho também defendeu a investigação das condições de funcionamento da unidade e do cumprimento das escalas médicas.
Prefeitura anuncia rompimento de contrato com associação responsável pelo hospital
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Barreiros anunciou, na quinta-feira (05/11), a rescisão do contrato com a Associação João Paulo II, responsável pela gestão do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque.
De acordo com a administração municipal, a medida foi adotada após uma avaliação da execução contratual. O comunicado oficial, entretanto, não atribuiu exclusivamente ao episódio envolvendo os médicos a decisão de encerrar a parceria.
Com o rompimento, a gestão da unidade ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde e do Fundo Municipal de Saúde até a conclusão de um novo processo licitatório.
A prefeitura informou que pretende assegurar a continuidade dos atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fiscalização levanta questionamentos sobre atendimento hospitalar
O episódio colocou em discussão tanto a qualidade do atendimento oferecido à população quanto as condições de trabalho dos profissionais de saúde.
Enquanto o prefeito questiona a ausência de dois médicos na área de atendimento durante o plantão, as entidades representativas sustentam que os profissionais exerciam o direito ao descanso e contestam as acusações divulgadas publicamente.
As circunstâncias do episódio e a existência de eventuais irregularidades dependem de apuração pelos órgãos competentes.
