Pular para o conteúdo
Envie sua pauta

Agora
Política

Escala 6×1 em Goiás: tudo sobre a proposta de mudança

A mudança não é imediata. Entenda o calendário da transição, quem fica de fora e o que pode mudar no comércio goiano.

Por Débora Evelyn · Atualizado · 4 min de leitura
Plenário do Senado Federal, onde é votada a PEC que acaba com a escala 6x1

O Senado Federal pode votar nesta quarta-feira (14/10) a proposta que acaba com a escala 6×1 no Brasil. Mas quem trabalha seis dias por semana em uma loja, supermercado ou shopping de Goiânia não vai acordar na quinta-feira com dois dias de folga. A mudança tem prazo, etapas e exceções, e é isso que o Uai Notícias Goiás explica a seguir.

O que está em votação

A PEC 221/2019 reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com limite de até oito horas por dia, e garante dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente no domingo, sem redução de salário. A regra vale também para quem já está empregado: as novas normas se aplicam aos contratos existentes e não podem resultar em corte salarial, nem mesmo proporcional.

Hoje é só o começo

Para passar no Senado, uma PEC precisa de dois turnos de votação, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um, e o regimento exige três sessões de discussão entre um turno e outro. Se esse intervalo for cumprido, a votação final fica para depois do segundo turno das eleições.

O governo, porém, articula para aprovar tudo no mesmo dia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que há assinaturas suficientes para votar um calendário especial, que permitiria o segundo turno ainda hoje.

Como o relator Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou as 36 emendas apresentadas e manteve o texto aprovado na Câmara, a proposta não precisa voltar para os deputados se passar sem alterações. Depois disso, ela é promulgada pelo Congresso.

O calendário da sua folga, passo a passo

A transição acontece em etapas. Veja o caminho completo, da votação no Senado até a jornada de 40 horas:

EtapaO que aconteceQuando
1. Primeiro turno no SenadoVotação da PEC, com pelo menos 49 votos favoráveisPrevista para esta quarta-feira (14/10)
2. Segundo turno no SenadoNova votação, com o mesmo mínimo de 49 votosNo mesmo dia, se o calendário especial for aprovado; senão, depois de três novas sessões de discussão
3. PromulgaçãoO Congresso publica a emenda à ConstituiçãoLogo após a aprovação final
4. Primeira mudançaJornada máxima cai para 42 horas semanais, já com dois dias de descanso60 dias após a promulgação
5. Regra finalJornada máxima de 40 horas semanais, com até oito horas por dia14 meses após a promulgação
Fonte: texto da PEC 221/2019 aprovado na Câmara e mantido pelo relator no Senado.

Na prática, numa simulação feita pelo Uai: se a PEC for aprovada e promulgada ainda em outubro, a segunda folga semanal começaria a valer por volta de dezembro de 2026, e a jornada de 40 horas, no fim de 2027.

Durante a transição, acordo ou convenção coletiva pode ampliar a jornada diária para acomodar as 42 horas, desde que os dois dias de repouso sejam mantidos.

Quem fica de fora

  • Servidores públicos: as novas regras de jornada não se aplicam ao funcionalismo de nenhum dos Poderes.
  • Profissionais com salário alto: quem tem curso superior e recebe pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS fica fora do controle de jornada, mas mantém o direito ao repouso.
  • Quem já trabalha 40 horas ou menos: não ganha redução adicional, mas também passa a ter direito ao segundo dia de descanso.
  • Pequenos negócios: uma lei complementar poderá criar regras de transição específicas para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, desde que o nível de emprego seja preservado.

Quem trabalha em plantão, como vigilantes, deve ficar atento: a mudança não significa automaticamente o fim da escala 12×36, porque o texto admite regimes diferenciados e negociação coletiva.

Em Goiás

O tema divide trabalhadores e empresários do estado. A federação que representa os comerciários de Goiás e Tocantins (Fetracom) defende há tempos a redução de 44 para 40 horas sem corte salarial e considera precipitado falar em colapso do setor. Já a Fecomércio Goiás sustenta que o debate precisa considerar também a realidade econômica das empresas, e não apenas os direitos dos trabalhadores.

Em âmbito nacional, entidades do comércio defendem que a jornada geral de 40 horas conviva com regimes especiais definidos por negociação coletiva em cada setor, enquanto as centrais sindicais pressionam pela aprovação do texto sem mudanças.

Como acompanhar a votação ao vivo

A sessão do Senado começou às 14h, com a PEC como primeiro item da pauta. A votação pode ser acompanhada ao vivo pela TV Senado, pelo site da emissora e pelo canal da TV Senado no YouTube.

Acompanhe o resultado com o Uai

O Uai Notícias Goiás acompanha a votação desta quarta-feira e vai mostrar como votou cada senador de Goiás. Ative as notificações do portal e siga o Uai Notícias Goiás nas redes sociais para saber, assim que sair o placar, o que muda na sua escala. Veja também as últimas notícias de Política no Uai.

Uai Notícias Goiás: a conexão certa para quem busca a verdade.

Leia também

Receba as notícias do Uai no seu e-mail

As principais notícias de Goiânia e de Goiás, sem spam. Cancele quando quiser.

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Notícias no WhatsApp