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Flávio Bolsonaro muda de posição e anuncia voto a favor do fim da escala 6×1

Por Kelly Sales · 3 min de leitura

Senador afirma que seguirá a vontade da maioria dos trabalhadores, mas defende maior liberdade na definição das jornadas e cobra compensação financeira às empresas.

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), anunciou nesta terça-feira (13/10) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e tem direito a um dia de descanso. A declaração representa uma mudança de posicionamento do parlamentar, que vinha criticando a proposta e defendendo alternativas para a organização da jornada de trabalho.

A decisão foi comunicada após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, e ocorre em meio à disputa presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Ao justificar a mudança, Flávio afirmou que tem ouvido trabalhadores durante suas viagens pelo país e reconheceu que a redução da jornada é uma reivindicação da maioria da população. Apesar disso, ressaltou que considera possível estabelecer um modelo mais flexível.

“Estou rodando o Brasil, e a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6 por 1. Então, vou votar a favor do fim da 6 por 1. Mas defendemos algo ainda melhor. Queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua escala de trabalho”, declarou.

Até então, Flávio Bolsonaro vinha questionando os efeitos econômicos da redução da jornada e criticando o momento escolhido pelo governo federal para avançar com a proposta.

O senador argumentava que a discussão, realizada durante o período eleitoral, poderia ter motivações políticas. Também demonstrava preocupação com possíveis aumentos nos custos das empresas e impactos sobre a geração de empregos.

Agora, embora tenha confirmado o voto favorável, o parlamentar mantém divergências em relação ao formato da mudança. Sua principal defesa é permitir que empregados e empregadores tenham maior liberdade para negociar a distribuição das horas trabalhadas.

A posição difere da proposta apoiada pelo governo Lula, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e manutenção da remuneração.

Outro ponto levantado por Flávio Bolsonaro envolve os custos da mudança para o setor produtivo.

Segundo o senador, a redução dos dias trabalhados poderá exigir novas contratações para manter o funcionamento de empresas, especialmente em setores que dependem de atendimento contínuo, como comércio e serviços.

O candidato defendeu que o governo federal assuma a responsabilidade por compensar os possíveis custos adicionais enfrentados pelos empresários.

Flávio também alertou para o risco de aumento da informalidade caso as empresas não consigam absorver as despesas decorrentes da alteração.

Apesar da declaração, o parlamentar não apresentou detalhes sobre como funcionaria a compensação financeira, quais setores seriam contemplados ou de onde sairiam os recursos necessários.

A discussão sobre a jornada de trabalho se tornou um dos principais temas do debate político nacional. A proposta de extinguir a escala 6×1 ganhou apoio popular e passou a ocupar espaço nas campanhas presidenciais.

O presidente Lula defende a redução da jornada sem diminuição dos salários, enquanto Flávio Bolsonaro sustenta que mudanças nas relações de trabalho precisam considerar tanto as necessidades dos empregados quanto a capacidade financeira das empresas.

A mudança de posicionamento do senador ocorre em um momento decisivo da corrida eleitoral, quando os dois candidatos disputam o apoio dos trabalhadores e apresentam diferentes propostas para o mercado de trabalho.

A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 está prevista para esta quarta-feira (14/10), no Senado Federal.

O texto busca modificar a organização da jornada de trabalho no Brasil, mas ainda enfrenta divergências sobre a redução das horas semanais, a manutenção dos salários e os impactos econômicos para empregadores.

A declaração de Flávio Bolsonaro amplia o apoio político à discussão, embora permaneçam diferenças entre os modelos defendidos pelo governo e pela oposição.

A eventual aprovação da proposta no Senado não significa sua entrada imediata em vigor. O texto ainda precisa cumprir as etapas constitucionais necessárias para que as mudanças sejam efetivamente implementadas.

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