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Goiás lidera produção de tomate do Brasil e deve colher 1,34 milhão de toneladas em 2026; Silvânia é a capital do fruto

Estado tem a maior área plantada e a maior produtividade do país, segundo o IBGE. Safra estimada é menor que a de 2025, mas Goiás segue na frente, com Silvânia, Cristalina e Morrinhos no topo do ranking.

Por Meyre Ellen · 3 min de leitura
Tomates verdes e maduros em esteira de seleção, produção de tomate em Goiás

Sabe aquele molho de tomate da prateleira do supermercado? Há uma boa chance de ele ter começado numa lavoura goiana. Goiás deve colher 1,34 milhão de toneladas de tomate em 2026 e segue como o maior produtor do Brasil, posição que ocupa desde 2024. O dado é da estimativa de setembro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, divulgada na quinta-feira (15/10) e destacada nesta segunda-feira (19/10) pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

O estado não lidera só no volume. Goiás tem a maior área plantada do país, com 14,6 mil hectares, e também o maior rendimento médio: 92,1 toneladas por hectare. Em outras palavras, cada hectare goiano produz, em média, mais de 92 mil quilos de tomate.

Safra menor, mas liderança mantida

O número de 2026 é mais baixo que o dos anos anteriores. Goiás colheu 1,46 milhão de toneladas em 2024 e bateu 1,65 milhão em 2025. A estimativa atual representa queda de 18,5% em relação ao ano passado e de 8,1% na comparação com 2024.

A redução não é exclusividade goiana. A estimativa para o Brasil também recuou, de 4,75 milhões para 4,37 milhões de toneladas. Mesmo assim, a fatia de Goiás continua grande: as 1,34 milhão de toneladas previstas equivalem a cerca de 30% de todo o tomate que o país deve colher neste ano.

Silvânia, Cristalina e Morrinhos no topo

Quando o assunto é tomate, três cidades goianas puxam a fila. Pelos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2025, também do IBGE, o ranking ficou assim:

  1. Silvânia: 361 mil toneladas, alta de 77,3% em relação a 2024;
  2. Cristalina: 277,5 mil toneladas;
  3. Morrinhos: 193 mil toneladas.

Juntas, as três respondem por pouco mais da metade de todo o tomate goiano e por 17,8% da produção nacional. Silvânia, a cerca de 80 quilômetros de Goiânia, aumentou a colheita em mais de três quartos em apenas um ano e assumiu a liderança do ranking.

R$ 8,5 bilhões e destino certo: a indústria

O tomate goiano é, na maior parte, o chamado tomate rasteiro, plantado para virar extrato, molho, polpa e ketchup. É por isso que o estado concentra grandes fábricas de processamento, que compram a produção direto do campo.

Em dinheiro, a cultura pesa. Segundo o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção (VBP) do tomate em Goiás somou R$ 8,5 bilhões em 2025, o equivalente a 40,8% de todo o VBP do tomate no Brasil. Ou seja: o tomate goiano vale, sozinho, quase metade do que o fruto movimenta no país.

Parte dessa produção também atravessa a fronteira. Em 2025, Goiás exportou 1,2 mil toneladas de derivados de tomate, com receita de US$ 969,1 mil. O suco de tomate respondeu por 70,1% desse valor, e ketchup e molhos, pelos outros 29,9%.

O secretário da Agricultura, Ademar Leal, destacou o peso da cadeia produtiva para a economia do estado e afirmou que o trabalho dos produtores é o que mantém Goiás à frente da produção nacional.

Entenda os números

  • LSPA: levantamento mensal do IBGE que estima a safra do ano em curso. Os números ainda podem mudar até o fim da colheita.
  • PAM: pesquisa anual do IBGE que mostra quanto cada município produziu no ano anterior. É de onde sai o ranking das cidades.
  • VBP: quanto a produção rendeu dentro da porteira, antes de virar molho ou ketchup.

O que isso tem a ver com você

Tomate é um dos itens que mais mexem no preço da comida. Uma safra menor no país pode pesar no custo dos derivados ao longo dos próximos meses, num momento em que o mercado ainda vê a inflação acima da meta, como mostrou o Boletim Focus desta segunda-feira. Para quem vive no interior, a força do tomate também significa emprego no campo e nas fábricas, principalmente na região de Silvânia, Cristalina e Morrinhos.

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