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Debate na Band: Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre Vorcaro, Lulinha e Eduardo; veja o que marcou o duelo

Primeiro frente a frente do segundo turno teve segurança pública na abertura, embate sobre as contas do governo e troca de ataques envolvendo o caso Master e familiares dos dois candidatos.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro debate do segundo turno, na Band

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) fizeram, neste domingo (18/10), o primeiro debate cara a cara da eleição presidencial de 2026. O encontro, promovido pela Band em São Paulo, aconteceu a exatamente uma semana do segundo turno e foi a primeira vez que os dois dividiram o mesmo palco: no primeiro turno, nenhum deles foi aos debates.

Mais do que propostas, o que marcou a noite foram as cobranças pessoais. No confronto livre, com 15 minutos para cada um administrar, os candidatos levaram ao estúdio os temas que cada campanha considera o ponto fraco do adversário: o caso Master, do lado de Lula, e as investigações envolvendo o filho do presidente, do lado de Flávio.

Segurança pública abriu a noite

A primeira pergunta dos âncoras Eduardo Oinegue e Adriana Araújo tratou do avanço das facções, do domínio de territórios pelo crime organizado e da redução da maioridade penal. Flávio respondeu primeiro e prometeu “declarar guerra ao narcoterrorismo” a partir de janeiro, classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas e abrir mais de 500 mil vagas no sistema prisional.

Lula lembrou que, pela Constituição, a segurança pública é responsabilidade dos estados, e defendeu a PEC da Segurança Pública, que amplia o papel da União no combate ao crime. O presidente prometeu criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a proposta.

Leia também: o que muda na prática com as propostas de Flávio e Lula para a segurança.

Contas do governo e custo de vida

Na pergunta sobre crescimento, dívida pública, juros e carga tributária, Lula defendeu que a economia cresce quando a população tem mais dinheiro no bolso e associou o desempenho do país à distribuição de renda. Flávio concentrou a resposta nos gastos do governo e no endividamento das famílias, acusou a gestão petista de gastar sem controle para tentar a reeleição e citou o esquema de descontos indevidos em aposentadorias do INSS para dizer que o governo não protegeu os aposentados.

Caso Master vira o centro do confronto

Foi Lula quem levou o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para o confronto direto. O presidente cobrou explicações sobre R$ 134 milhões de Vorcaro ligados à produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e chegou a perguntar se o dinheiro teria ajudado a manter o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio devolveu com uma reportagem da revista Veja, segundo a qual o Instituto Lula teria recebido R$ 30 milhões de Vorcaro, e questionou uma reunião fechada entre o presidente, o banqueiro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Lula respondeu que avisou Vorcaro de que ele seria preso e resumiu a conversa com uma comparação: o governo anterior teria feito dele um banqueiro, e o atual, um prisioneiro.

Leia também: R$ 134 milhões x R$ 30 milhões: entenda as cifras do caso Master.

Lulinha, Eduardo e o míssil da Paulista

A troca de ataques ficou ainda mais pessoal quando o assunto chegou às famílias. Flávio perguntou onde está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que vive na Espanha e é investigado, e cobrou a atuação da Polícia Federal no caso. O senador também citou a empresária Roberta Luchsinger, que apontou como sócia do filho do presidente.

Lula afirmou que o filho abriu as contas bancárias e o telefone para os investigadores e partiu para cima de Eduardo Bolsonaro, a quem acusou de agir contra o Brasil nos Estados Unidos e de pedir uma intervenção de Donald Trump. O presidente citou ainda o míssil inflável exibido mais cedo em um ato pró-Flávio na Avenida Paulista, com uma frase em inglês pedindo que Trump bombardeasse o Brasil. Flávio respondeu que o irmão está exilado.

Por que este debate pesa tanto

A disputa chega à última semana sem favorito claro. No primeiro turno, realizado no domingo (4/10), Flávio terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15/10), o senador aparece com 51% dos votos válidos, e o presidente, com 49%, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Com uma margem tão estreita, cada eleitor indeciso conta, e os dois candidatos sabem que um debate na reta final pode mexer em votos.

E agora?

O último encontro entre os dois está previsto para a sexta-feira (23/10), na TV Globo, dois dias antes da votação. Veja o que está em jogo no debate final. O segundo turno acontece no domingo (25/10), das 8h às 17h, no horário de Brasília.

Quer entender a reta final da eleição sem complicação? Continue no Uai Notícias Goiás e acompanhe a repercussão do debate.

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