
“Ele é um ser humano, até os animais merecem carinho e respeito”, diz Salma Alves Sabino, mãe de Jean Victor Alves. A frase, dita aos soluços, condensa a emoção que essa família tem vivido enquanto Jean luta contra o câncer. A situação se complicou após o Ipasgo negar um curativo a vácuo ao paciente, internado há mais de 80 dias, que também precisa lidar com cobranças médicas, remédios, diárias e o sofrimento inerente à doença.
Após a situação chegar à imprensa, o curativo, que anteriormente havia sido negado, foi liberado pelo plano de saúde. Entretanto, ainda não foi colocado em Jean. Junto da mãe do paciente, os dois filhos, de 6 e 14 anos, também acompanham o pai, ao lado da esposa, Josiane Divina, na luta contra o câncer. O Ipasgo se manifestou por meio de nota sobre a situação. O texto pode ser conferido na íntegra ao final da reportagem.
Salma, com a voz embargada, compartilha a incerteza e a angústia vividas pela família. “Porque como que vai fazer? Não tem como. Estamos pagando a diária da UTI, que é R$ 150 por dia. A minha nora tem que ficar com ele 24 horas e é cabeleireira e manicure. Então, quer dizer, não trabalha. Ele é funcionário público-administrativo, o salário é mínimo. Não tem condições, entende?”
Ela também relata que, como Jean teve trombose, foi preciso colocar uma bota de alto custo. Somando quase todos os gastos hospitalares, sem incluir os remédios, o valor já ultrapassa R$ 5 mil. Por isso, a família solicitou o curativo, que não foi colocado de forma célere, e a condição da ferida se deteriorou.
Quando foi realizada uma reportagem sobre o caso, em seguida o curativo foi liberado, e o Ipasgo informou que havia enviado enfermeiros para avaliar o paciente. Salma, mãe de Jean, confirma a autorização do curativo, mas afirma que a visita dos profissionais não aconteceu.
“Porque o Ipasgo, inclusive, até mentiu, falando que tinha mandado enfermeiros lá no hospital. Tinha isso, tinha aquilo. Tudo mentira. Porque pode puxar nas câmeras do hospital, tudo lá, que não teve nada disso. Meu filho se encontra nessa situação porque eles negaram. Se tivesse posto o curativo desde o início, o meu filho não estava nessa situação”, declarou.
A mãe, ainda soluçando de emoção, enfatizou a responsabilidade que atribui ao Ipasgo antes de encerrar a entrevista.
“Porque tudo foi negação deles. Falei: eles esperam, praticamente, o filho da gente acontecer o pior, para depois eles se arrumarem.”
Caso queira ajudar no tratamento de Jean, é possível contribuir por meio desta vaquinha online.
Nota do Ipasgo
O Ipasgo Saúde informa, em relação ao caso do beneficiário que, diante das particularidades clínicas apresentadas, autorizou, de forma excepcional, a realização do curativo a vácuo ABThera. A enfermeira responsável pela avaliação e instalação já foi acionada nesta quinta-feira, 27, e o fornecedor está em contato com a médica assistente e o hospital para os encaminhamentos necessários. A instalação do curativo ocorrerá até sábado, 29.
Importante esclarecer que o beneficiário está vinculado a um plano antigo, cujo regulamento não contempla, em sua cobertura contratual, o curativo por pressão negativa, também conhecido como curativo a vácuo, indicado para o tratamento hospitalar. Dessa forma, a ausência de autorização inicial decorreu das condições de cobertura previstas no contrato originalmente firmado, e não de desconsideração em relação à gravidade do quadro clínico.
Vale ainda ressaltar que, embora o plano antigo não contemple a cobertura solicitada, foi oferecida à família a possibilidade de migração para um plano com cobertura assistencial compatível com o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que contempla o procedimento. O beneficiário também vinha sendo acompanhado pelo Ipasgo Saúde por meio de visitas técnicas realizadas por enfermeiras auditoras.
O Ipasgo Saúde reafirma seu compromisso com uma assistência segura, humanizada e responsável, avaliando cada solicitação de acordo com as condições contratadas, as normas aplicáveis e as necessidades assistenciais apresentadas.
Leia mais: “Aumentou a elegibilidade”, diz gerente do Ipasgo sobre inclusão de parentes de até 4º grau