Pesquisa da Deloitte mostra mudança nas prioridades de jovens profissionais e aponta impacto da situação econômica nas decisões pessoais e na relação com o trabalho.

A pressão financeira já interfere em decisões que vão além da carreira entre os jovens brasileiros. Segundo a pesquisa Gen Z & Millennial 2026, realizada pela Deloitte, 45% da Geração Z no Brasil afirmam ter adiado planos importantes por causa da situação econômica. Entre os projetos postergados estão estudos, empreendedorismo, casamento e formação de família.
O cenário também tem provocado mudanças na forma como esses profissionais enxergam o mercado de trabalho. Mais do que buscar crescimento hierárquico, parte dos jovens passou a considerar fatores como equilíbrio entre vida pessoal e profissional, previsibilidade financeira, saúde mental e qualidade da rotina na hora de escolher ou permanecer em um emprego.
Liderança perde espaço entre as prioridades
Os dados da Deloitte mostram uma mudança na percepção sobre sucesso profissional. Apenas 6% dos integrantes da Geração Z brasileira apontam alcançar um cargo de liderança como principal objetivo de carreira. Em contrapartida, 28% colocam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho como prioridade.
A tendência não significa falta de interesse pelo desenvolvimento profissional. A avaliação é de que os jovens estão levando em consideração o impacto que o trabalho exerce sobre outras áreas da vida, especialmente diante de um cenário de maior pressão econômica.
Para Gerlos Lima, gerente geral da Vólus, essa mudança de comportamento também exige que as empresas repensem a forma como estruturam seus benefícios.
“A Geração Z valoriza benefícios que tenham utilidade no dia a dia e ajudem a organizar a rotina. Quando a empresa oferece soluções que acompanham alimentação, mobilidade, saúde, educação ou apoio financeiro, o colaborador percebe valor de forma mais concreta. Benefício bom é aquele que faz sentido para quem usa”, afirma.
Estresse também preocupa
A pressão financeira se soma a outros fatores que afetam a relação dos jovens com o trabalho. De acordo com o levantamento, 38% da Geração Z brasileira afirmam se sentir estressados o tempo todo ou na maior parte do tempo.
Entre os principais fatores associados ao desgaste estão jornadas extensas, falta de reconhecimento e pouco tempo para concluir as tarefas. O cenário coloca em discussão a necessidade de empresas adotarem políticas internas mais alinhadas à realidade das equipes.
Nesse contexto, os benefícios corporativos aparecem como um dos elementos que podem contribuir para estratégias de atração e retenção de profissionais. Eles, no entanto, não substituem salário adequado, boas condições de trabalho, liderança eficiente e organização das atividades.
Empresas buscam mais flexibilidade
Com profissionais que apresentam necessidades e momentos de vida diferentes, modelos mais flexíveis de benefícios ganham espaço. A possibilidade de utilizar recursos de acordo com as próprias prioridades pode ampliar a percepção de valor por parte dos colaboradores e, ao mesmo tempo, manter mecanismos de controle e segurança para as empresas.
A Vólus atua nesse segmento com soluções voltadas à gestão de benefícios e à autonomia de utilização pelos trabalhadores. Para Gerlos Lima, as empresas que pretendem atrair e manter profissionais da Geração Z precisam considerar os benefícios como parte da experiência oferecida no ambiente de trabalho.
“O pacote tradicional, igual para todos, tende a perder força quando a equipe reúne pessoas com rotinas e necessidades muito diferentes. A flexibilidade ajuda a empresa a entregar valor, melhorar a percepção de cuidado e fortalecer o vínculo com os colaboradores”, destaca.
A mudança de prioridades indica que a relação entre jovens profissionais e empresas passa cada vez mais pela busca por equilíbrio, segurança financeira e qualidade de vida, além dos tradicionais indicadores de crescimento na carreira.