Morre aos 60 anos Netinho, cantor que marcou o axé brasileiro com o sucesso “Milla”
Artista estava internado em Salvador e enfrentava um câncer no sistema linfático; trajetória musical foi marcada por sucessos que ganharam projeção nacional nos anos 1990.

A música brasileira perdeu uma das vozes que ajudaram a popularizar o axé em todo o país. O cantor Netinho, conhecido por sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana”, morreu na terça-feira (13/10), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. O falecimento foi confirmado pela assessoria do artista.
Netinho estava internado no Hospital Aliança Star, onde recebia tratamento contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. Segundo comunicado divulgado pela equipe do cantor, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
O diagnóstico havia sido realizado em 2025. Desde então, o artista passou por tratamento e períodos de internação. Apesar de apresentar melhora e retomar compromissos profissionais, voltou a enfrentar complicações após o retorno da doença.
Uma trajetória que marcou o axé brasileiro
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966 e construiu uma carreira que acompanhou a expansão do axé para além do Carnaval de Salvador.
Sua trajetória ganhou destaque em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. À frente do grupo, conquistou reconhecimento com músicas que passaram a integrar a programação de rádios e festas populares em diferentes regiões do Brasil.
Em 1993, iniciou carreira solo e ampliou sua presença no cenário musical. Três anos depois, alcançou um dos momentos mais conhecidos de sua trajetória com o lançamento de “Milla”, canção que se tornou um dos grandes sucessos do axé na década de 1990.
O repertório do cantor também reuniu músicas como “Menina”, “Estrela Primeira” e “A Vida é Festa”, consolidando sua participação em carnavais, micaretas e apresentações pelo país.
Problemas de saúde e afastamentos dos palcos
Ao longo da carreira, Netinho enfrentou diferentes problemas de saúde que provocaram interrupções em sua agenda profissional.
O diagnóstico de linfoma, em 2025, representou um novo desafio. O cantor passou por sessões de quimioterapia e chegou a retomar apresentações após um período de recuperação.
Entretanto, o retorno da doença em 2026 exigiu novos cuidados médicos. Com o agravamento do quadro clínico, o artista permaneceu internado até a confirmação de sua morte.
A notícia provocou manifestações de pesar entre artistas e profissionais da música. Nomes como Bell Marques, Claudia Leitte, Carlinhos Brown e Alexandre Pires estiveram entre os que prestaram homenagens ao cantor.
Despedida será reservada à família
Em comunicado, a assessoria informou que o velório e a cremação ocorrerão de maneira privada, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio Netinho.
A cerimônia será restrita a familiares e amigos próximos. Informações sobre horário e local não foram divulgadas.
O cantor deixa uma filha, Bruna Trindade, fruto de seu relacionamento com a jornalista Mariana Trindade.
Com uma trajetória de quase quatro décadas, Netinho deixa um repertório que atravessou gerações e ajudou a levar a música baiana a diferentes públicos. Suas canções permanecem associadas à expansão do axé brasileiro, especialmente ao período em que o gênero conquistou espaço nas rádios, na televisão e nos grandes eventos musicais do país.
