Empresária ligada a Lulinha acusa Lula de colocá-la em risco e afirma temer pela vida das filhas
Investigada em apurações relacionadas a suspeitas de irregularidades no INSS, Roberta Luchsinger reagiu às declarações do presidente, fez acusações contra integrantes do governo e afirmou que pretende colaborar com a Justiça.

A empresária Roberta Luchsinger, apontada como pessoa próxima de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de colocar sua segurança e a de suas filhas em risco após declarações públicas em que a chamou de “pilantra”. Durante entrevista à CNN Brasil, neste sábado (17/10), ela afirmou que passou a enfrentar ameaças e responsabilizou politicamente o presidente por eventuais episódios de violência contra sua família.
A manifestação ocorreu em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo relações entre empresários, integrantes do governo e o filho do presidente. Roberta é uma das investigadas em apurações relacionadas ao caso conhecido como Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na entrevista, a empresária classificou como injusta a maneira como passou a ser tratada publicamente pelo chefe do Executivo federal. Segundo ela, as declarações de Lula contribuíram para intensificar ataques contra sua imagem e provocaram preocupações com sua integridade física.
Empresária responsabiliza Lula por possíveis ameaças à família
Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, Roberta afirmou que as críticas feitas pelo presidente a expuseram publicamente e ampliaram os riscos enfrentados por ela e suas filhas.
“Qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República”, declarou.
A empresária também acusou Lula de utilizar sua posição institucional para atacá-la diante da população. Segundo sua avaliação, a repercussão das falas presidenciais contribuiu para transformá-la em alvo de hostilidades.
Roberta afirmou que decidiu se manifestar publicamente para apresentar sua versão dos acontecimentos e contestar as declarações do presidente. As acusações sobre eventuais riscos à sua segurança representam alegações da entrevistada e não constituem comprovação de responsabilidade de Lula por ameaças.
Entenda por que Lula chamou Roberta de “pilantra”
O conflito ganhou repercussão após o presidente comentar investigações envolvendo seu filho e a empresária.
Em agosto, durante entrevista à TV Globo, Lula questionou a utilização de conversas telefônicas como elementos para sustentar suspeitas contra Lulinha. Na ocasião, afirmou que não havia acusações contra o filho e utilizou o termo “pilantra” ao mencionar Roberta.
O presidente voltou a criticá-la em outubro, durante participação no podcast Flow. Na conversa, comparou a empresária ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que ambos teriam enganado pessoas.
As declarações provocaram reação de Roberta, que classificou a postura presidencial como ofensiva e sustentou que sua proximidade com pessoas ligadas ao governo não poderia ser utilizada para atribuir exclusivamente a ela a responsabilidade por eventuais irregularidades.
Roberta faz acusações sobre encontros de Lulinha com ministros
Além de questionar o comportamento do presidente, Roberta apresentou alegações sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva nos bastidores do governo federal.
Segundo a empresária, Lulinha teria participado de encontros com ministros e empresários, incluindo reuniões voltadas à discussão de assuntos relacionados à administração pública.
Ela também afirmou que integrantes do governo teriam procurado sua ajuda para conseguir agendas com o presidente e tratar de determinados projetos.
As afirmações ampliaram a repercussão política da entrevista, especialmente por envolverem possíveis relações entre interesses privados e agentes públicos.
Entretanto, a existência de reuniões ou contatos com autoridades não comprova, por si só, a prática de crimes. As acusações apresentadas pela empresária dependem de investigação e confirmação por provas.
Empresária afirma que pretende fazer delação premiada
Outro ponto de destaque foi a declaração de Roberta sobre a possibilidade de firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades responsáveis pelas investigações.
A empresária afirmou que pretende apresentar informações relacionadas aos fatos investigados e indicou que não pretende preservar pessoas eventualmente envolvidas em irregularidades, incluindo integrantes do círculo político do presidente.
A intenção anunciada, no entanto, não significa que exista um acordo formalizado. Uma colaboração premiada depende de negociação com as autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos legais.
O caso envolve investigações decorrentes da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Nesse contexto, a Polícia Federal investiga possíveis conexões entre empresários, intermediários e pessoas com influência política.
Entrevista amplia repercussão política das investigações
As declarações de Roberta também provocaram reações no Congresso Nacional. Após a entrevista, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) manifestou preocupação com a segurança da empresária e defendeu medidas de proteção.
A repercussão ocorre em um momento de intensa disputa política nacional, enquanto o presidente Lula busca a reeleição e enfrenta questionamentos sobre as investigações que mencionam pessoas de seu círculo familiar.
Apesar das acusações, é importante distinguir declarações públicas, suspeitas investigadas e responsabilidades efetivamente comprovadas.
Lula tem contestado a associação de seu filho às irregularidades e questionado a utilização de conversas telefônicas para fundamentar acusações. A empresária, por sua vez, sustenta que conhece episódios envolvendo Lulinha e representantes do governo que precisam ser esclarecidos.
Até o momento, as afirmações feitas na entrevista não representam conclusões judiciais sobre os fatos narrados.
O episódio acrescenta novos elementos ao debate sobre as investigações relacionadas ao INSS e sobre a atuação de pessoas próximas a autoridades federais.
