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Servidores de Goiânia podem regularizar progressões e adicionais a partir desta segunda-feira (19/10), mas terão de abrir mão dos atrasados

Edital da Prefeitura vale para cinco órgãos, entre eles Saúde e Educação, e fica aberto por 30 dias. O benefício entra na folha, mas quem aderir renuncia aos valores retroativos e precisa encerrar ações na Justiça.

Por Débora Evelyn · 4 min de leitura
Prefeito Sandro Mabel assina documento no lançamento da Escola de Governo Darci Accorsi, em Goiânia, aplaudido por autoridades, com painel azul ao fundo

Servidores da Prefeitura de Goiânia que esperam há anos por progressões e adicionais travados na gaveta ganharam uma porta de saída nesta segunda-feira (19/10). Começou o prazo de adesão ao Edital de Acordo nº 003/2026, que promete colocar esses direitos no contracheque, mas cobra um preço alto: quem aderir abre mão de todo o dinheiro atrasado. A medida foi anunciada pelo prefeito Sandro Mabel na reabertura da Escola de Governo Darci Accorsi, em cerimônia na Câmara Municipal.

A adesão é voluntária e fica aberta por 30 dias corridos. Nesta primeira etapa, podem participar servidores ativos de cinco órgãos: as secretarias de Saúde (SMS), de Educação (SME), de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp) e a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Outras pastas podem entrar depois, por ato próprio.

Quais direitos entram no acordo

O edital vale para oito benefícios previstos na legislação municipal: Adicional de Incentivo à Profissionalização, Adicional de Titulação e Aperfeiçoamento, Adicional de Titularidade, Adicional de Incentivo Funcional, Adicional de Responsabilidade Técnica, Adicional por Desempenho Profissional e as progressões vertical e horizontal. São, na prática, os valores ligados a cursos, diplomas, tempo de carreira e avaliação de desempenho que muitos servidores dizem ter direito, mas nunca viram cair na conta.

Segundo Mabel, essas promoções e progressões deixaram de ser implantadas por gestões anteriores e viraram uma “bola de neve”. “Queremos que o funcionário tenha seu direito assegurado e coloque no bolso o que merece”, afirmou o prefeito durante a cerimônia.

O que o servidor precisa saber antes de aderir

O ponto mais sensível está nas regras. A adesão é integral e irrevogável: depois de assinado o acordo, não tem volta. O servidor precisa renunciar, por escrito, a todas as diferenças salariais retroativas e aos reflexos ligados ao direito reconhecido. O dinheiro passa a contar só a partir da data em que o pedido for protocolado, e nada do que ficou para trás será pago.

Quem já tem ação na Justiça cobrando o benefício também precisa pedir a extinção do processo, com resolução do mérito, para entrar no acordo. Ficam de fora os casos em que o direito já foi negado por decisão administrativa ou judicial definitiva. E o reconhecimento depende de um parecer técnico confirmando que o servidor cumpre todos os requisitos da lei.

Por isso, a conta é individual. Para quem tem pouco a receber de atrasados, ver o benefício entrar logo na folha pode compensar. Para quem acumula anos de diferença ou já tem processo adiantado na Justiça, a renúncia pode significar perder uma quantia considerável. Quem não aderir não sofre punição nem prejuízo na carreira e pode continuar buscando o direito pela via administrativa ou judicial, como diz o próprio edital.

Passo a passo do pedido

  • Onde pedir: o processo é aberto no SEI, pela própria unidade de lotação, ou em uma unidade do Atende Fácil, e deve ser enviado à Semad/Resolve.
  • Documentos: formulário de adesão (Anexo I do edital), documento oficial com foto, comprovante de residência recente, comprovantes dos requisitos do benefício e a lista de processos administrativos ou judiciais sobre o tema.
  • Análise: depois do parecer técnico favorável, o caso vai para uma sessão de conciliação no Cejusc do Tribunal de Justiça de Goiás, onde o acordo é assinado e homologado.
  • Pagamento: o benefício deve entrar na folha até o segundo mês depois da assinatura do acordo.

Os pedidos protocolados antes da Semana Nacional da Conciliação, de terça-feira (03/11) a sexta-feira (06/11), têm prioridade na análise. O prazo de adesão pode ser prorrogado pela Prefeitura.

Escola de Governo volta com 1,2 mil cursos

O anúncio veio junto com a retomada da Escola de Governo Darci Accorsi, que leva o nome do ex-prefeito de Goiânia, professor por mais de quatro décadas. A escola vai oferecer mais de 1.200 cursos, presenciais e a distância, para servidores, gerentes, diretores e secretários, em seis áreas: governança e integridade, liderança e gestão de pessoas, estratégia e inovação, tecnologia e inteligência artificial, gestão fiscal e contratações públicas.

O acesso será pelo ambiente virtual de aprendizagem, com o login de cada servidor. A sede, no Paço Municipal, está em reforma e deve ser inaugurada ainda em 2026. “Teremos salas de aula, laboratório de informática e também um estúdio para gravação de videoaulas”, disse o secretário municipal de Administração, Adonídio Neto. A Prefeitura também vai abrir seleção de instrutores e prevê parcerias com a Enap, a UFG e a Escola de Governo do Estado.

A cerimônia teve a presença da deputada federal Adriana Accorsi, filha de Darci, que elogiou a reabertura da escola. A Prefeitura não informou quantos servidores podem aderir ao edital nem qual será o impacto do acordo na folha de pagamento.

É servidor ou conhece alguém da Prefeitura que está nessa situação? Compartilhe esta matéria e continue acompanhando o Uai. Leia também: Imas abre oito consultórios no Hospital Santa Maria; veja o que muda para o servidor.

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