Confiança da indústria em Goiás cai ao menor nível de 2026 e fica 5 pontos abaixo da média do país
Índice da Fieg recuou para 41,1 pontos em outubro e está há dez meses no campo do pessimismo; construção civil é a exceção e chega perto da linha de 50.

O empresário da indústria goiana está mais desanimado do que o do resto do Brasil. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Goiás (Icei Goiás), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), caiu de 42,6 para 41,1 pontos em outubro, o menor nível de 2026. No mesmo mês, o índice nacional, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), subiu para 46,2 pontos. Com isso, a distância entre Goiás e a média do país, que era de 2,3 pontos em setembro, mais do que dobrou e chegou a 5,1 pontos.
Os números foram divulgados pela Fieg na sexta-feira (16/10) e mostram que a indústria do estado passou os dez meses do ano abaixo da linha de 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança.
Entenda o índice
O Icei vai de 0 a 100 pontos. Acima de 50, o empresário está confiante; abaixo de 50, está pessimista. Quanto mais longe da linha, mais forte é o sentimento. O índice junta duas avaliações: como o empresário enxerga o momento atual da empresa e da economia (condições atuais) e o que ele espera para os próximos seis meses (expectativas).
Em Goiás, as duas pioraram. O indicador de condições atuais ficou em 36,3 pontos, também o pior do ano. O de expectativas caiu para 43,4 pontos. Em abril, ele estava em 49,4, quase encostando na linha de 50. Ou seja, em seis meses o otimismo com o futuro perdeu 6 pontos.
“Em abril, as expectativas estavam muito próximas dos 50 pontos”, lembrou o assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira. Para ele, “a indústria goiana está mais pessimista em um cenário que já é negativo para todo o País”.
Por que isso preocupa
Confiança baixa por muito tempo costuma virar freio de mão puxado. Segundo a Fieg, o maior risco é que o pessimismo persistente faça as empresas adiarem investimentos, como a compra de máquinas, a ampliação de fábricas e novas contratações. A federação cita os juros altos, com a taxa Selic em 13,75% ao ano, como um dos pesos que encarecem o crédito e travam esses planos.
O retrato nacional ajuda a explicar o clima. Na pesquisa da CNI, feita de 1º a 7 de outubro com 1.103 indústrias, o indicador de condições atuais caiu para 40 pontos, o menor desde julho de 2020, em plena pandemia. A diferença é que, no país, as expectativas subiram 2,1 pontos e chegaram a 49,3, puxando o índice geral para cima. Mesmo assim, a indústria brasileira completou 22 meses seguidos no campo do pessimismo. Em Goiás, nem as expectativas reagiram.
Construção civil é a exceção
Se a indústria em geral desanimou, a construção civil goiana foi na direção contrária. A confiança do setor subiu 2,6 pontos e chegou a 49,1, a apenas 0,9 ponto da linha de 50. Ainda é o quinto mês seguido abaixo da neutralidade, mas é o resultado mais próximo dela desde maio.
O que anima o setor é o futuro: o indicador de expectativas da construção subiu pelo quarto mês seguido, para 52,1 pontos, 6,1 pontos acima do registrado em junho. O presente, porém, segue difícil, com as condições atuais em 43,1 pontos. A diferença de 9 pontos entre o que o construtor vive hoje e o que espera para os próximos meses é a maior do ano. Para Cláudio Henrique, “é essa sequência, e não a alta isolada do Icei, que sustenta uma leitura de recuperação”.
O que muda para você
A confiança do empresário é um termômetro do que vem pela frente. Quando ela cai, as fábricas tendem a segurar contratações e a produzir com cautela, o que pode afetar a oferta de vagas na indústria, um dos setores que mais empregam com carteira assinada em polos como Anápolis, Rio Verde, Catalão e a Região Metropolitana de Goiânia. Já a melhora na construção pode significar mais obras e mais vagas no canteiro nos próximos meses, caso as expectativas se confirmem.
A próxima rodada do Icei, com os dados de novembro, deve mostrar se o pessimismo da indústria goiana chegou ao fundo do poço ou se ainda tem espaço para piorar.
Quer entender o que o mercado espera para a inflação, os juros e o dólar? Leia também a nossa matéria sobre o Boletim Focus desta segunda-feira (19/10). Acompanhe o Uai Notícias Goiás para ficar por dentro da economia do estado e compartilhe esta matéria com quem trabalha na indústria.
