Pular para o conteúdo
Envie sua pauta

Agora
Cidades

Terra Ronca: as cavernas de rios mornos de São Domingos que fazem do Nordeste goiano um destino único; veja como visitar

Parque estadual entre São Domingos e Guarani de Goiás tem centenas de cavernas e a quinta maior do Brasil. Visita só com condutor credenciado, capacete e lanterna; confira as regras antes de pegar a estrada.

Por Uai Notícias Goiás · 4 min de leitura
Interior da caverna Terra Ronca, em São Domingos (GO), com feixe de luz azul entrando pelo teto, estalactites e rio no fundo

No Nordeste goiano, perto da divisa com a Bahia, existe um mundo que fica escondido debaixo da terra. O Parque Estadual de Terra Ronca, entre São Domingos e Guarani de Goiás, guarda um dos maiores conjuntos de cavernas da América do Sul, com salões do tamanho de catedrais, estalactites que descem do teto como cortinas e rios que atravessam a rocha com água clara e morna. O Uai explica o que é preciso saber antes de colocar Terra Ronca no roteiro.

Criado em 1989, o parque tem cerca de 57 mil hectares e é o maior parque estadual de Goiás. São centenas de cavernas, e só uma parte delas foi estudada a fundo pelos cientistas. O nome é associado ao barulho que ecoa pelos labirintos: o som da água correndo e caindo dentro das cavernas lembra um ronco que sai do chão.

Quais cavernas dá para visitar

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que administra o parque, estão abertas ao público as cavernas Terra Ronca I e II, Angélica, São Bernardo e São Mateus. Cada uma tem regras próprias, definidas em portaria, e algumas exigem caminhada longa e travessia de rio.

  • Terra Ronca I: a mais conhecida e a porta de entrada de quem visita o parque pela primeira vez. A boca é gigantesca e o Rio da Lapa corre por dentro dela.
  • Angélica: uma das maiores do país, cortada pelo rio de mesmo nome. O percurso é longo e pede preparo físico.
  • São Mateus: famosa pelas formações delicadas, que parecem esculpidas à mão.
  • São Bernardo: cortada pelo rio São Bernardo, um dos cursos d’água mornos do parque.

Há ainda a São Vicente I, a quinta maior caverna do Brasil, com cerca de 16,4 km de extensão e 12 cachoeiras formadas pelo rio São Vicente dentro da rocha. A visita a ela depende de autorização prévia da Semad.

Os rios Angélica, São Vicente, São Bernardo e da Lapa são descritos pela Goiás Turismo como límpidos e mornos, um contraste curioso com o frio que se espera de um ambiente subterrâneo.

Regras para entrar nas cavernas

Terra Ronca não é passeio para fazer por conta própria. Pelas normas do parque:

  • todo grupo precisa estar acompanhado de pelo menos um condutor credenciado pelo parque;
  • a visitação nas cavernas vai das 8h às 17h;
  • cada pessoa deve levar lanterna elétrica portátil com pilhas ou baterias reserva;
  • calçado fechado e antiderrapante e capacete próprio são obrigatórios;
  • o grupo tem de andar junto, sem se dispersar dentro da caverna;
  • é proibido entrar alcoolizado ou com bebida alcoólica, levar animais domésticos e usar lamparina ou qualquer iluminação que solte calor ou fuligem.

As regras existem por dois motivos: a segurança de quem visita e a proteção de formações que levaram milhares de anos para crescer alguns centímetros. Um simples toque deixa gordura da pele na rocha e pode interromper esse crescimento.

O Estado está comprando o parque aos poucos

Boa parte de Terra Ronca ainda está em terras particulares. Em maio, a Semad comprou duas propriedades rurais onde ficam a entrada da caverna São Vicente I e o começo da trilha de acesso. Com a aquisição, a área regularizada do parque passou de cerca de 65% para 68%.

Já são patrimônio do Estado os imóveis das cavernas Bezerra, São Vicente II, Sistema São Mateus, São Bernardo-Palmeiras, São Bernardo, Pau-Pombo e Sambaíba, além de áreas de acesso à Terra Ronca I. Doações de terras feitas por empresas como compensação ambiental têm ajudado a acelerar o processo. Para o visitante, isso significa acesso público mais organizado e, no futuro, mais estrutura nas trilhas.

Antes de pegar a estrada

  • Confirme as cavernas abertas: as páginas oficiais trazem informações diferentes sobre quantas cavernas estão liberadas. Ligue para a sede do parque, no (62) 3439-6005, ou escreva para peter.meioambiente@goias.gov.br.
  • Contrate o condutor com antecedência: sem ele, não há visita.
  • Olho na chuva: outubro marca o começo do período chuvoso em Goiás, e rios que passam dentro de cavernas podem subir rápido. Siga sempre a orientação do condutor e da administração sobre o que está liberado no dia.
  • Estrada de terra: a sede fica na zona rural de São Domingos, a 13 km do povoado de São João Evangelista, por estrada de chão até o povoado da Piteira.

Gosta de conhecer Goiás fora do roteiro de sempre? Continue acompanhando o Uai Notícias Goiás e compartilhe esta matéria com quem está planejando a próxima viagem pelo Cerrado. Veja também por que o desmatamento no Cerrado goiano caiu menos que a média do bioma.

Leia também

Receba as notícias do Uai no seu e-mail

As principais notícias de Goiânia e de Goiás, sem spam. Cancele quando quiser.

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Notícias no WhatsApp