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Fraude em terrenos: Polícia Civil apreende máquina de escrever usada para “envelhecer” contratos em nome de mortos em Aparecida de Goiânia

Segunda fase da Operação Terreno de Papel foi nesta segunda-feira (19/10), em Aparecida e Hidrolândia. Grupo mirava lotes quitados há mais de 20 anos por compradores que morreram antes de passar a escritura.

Por Kelly Sales · 3 min de leitura
Fraude em terrenos em Aparecida de Goiânia: máquina de escrever antiga com papéis envelhecidos e mapa de loteamento sobre mesa
Imagem ilustrativa

Uma máquina de escrever antiga, daquelas que quase ninguém usa mais, virou peça central de uma investigação sobre roubo de terrenos na Região Metropolitana de Goiânia. A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deflagrou nesta segunda-feira (19/10) a segunda fase da Operação Terreno de Papel, em Aparecida de Goiânia e Hidrolândia, contra um grupo suspeito de forjar contratos em nome de pessoas mortas para se apossar de lotes que já tinham sido pagos.

A ação foi comandada pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) de Aparecida, com apoio da Delegacia Municipal de Hidrolândia, as duas ligadas à 2ª Delegacia Regional de Polícia. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreenderam contratos com indícios de falsidade ideológica, mapas de loteamentos de Aparecida e a máquina de escrever que, segundo a investigação, era usada para dar cara de documento antigo aos papéis falsos. A polícia não divulgou o número de mandados nem se houve prisões.

Como o golpe funcionava

O alvo eram lotes vendidos há mais de 20 anos. Os compradores originais tinham quitado o terreno, mas morreram antes de transferir o imóvel para o próprio nome. Ou seja, no papel, o lote ainda estava pendurado no nome do loteamento.

De acordo com a Polícia Civil, o esquema seguia este caminho:

  1. Com certidões de óbito e dados pessoais dos compradores mortos, o grupo redigia contratos de compra e venda com data antiga, como se o negócio tivesse sido fechado quando eles ainda estavam vivos;
  2. Os contratos eram datilografados em máquinas de escrever antigas e passavam por técnicas de envelhecimento artificial do papel;
  3. O grupo apresentava às loteadoras procurações que pareciam ter sido feitas em cartórios de outros estados, principalmente do Maranhão e do Pará, com declarações falsas, para conseguir autorização para lavrar a escritura definitiva;
  4. Os imóveis eram passados para o nome de “laranjas”, entre eles pessoas em situação de rua;
  5. Depois, os lotes eram revendidos a terceiros que, na maioria das vezes, não sabiam que a papelada era falsa.

O resultado é um prejuízo em cadeia: a família de quem pagou o terreno perde o bem, e quem comprou depois, de boa-fé, pode acabar com um imóvel cuja origem é contestada na Justiça.

Próximos passos da investigação

Todo o material apreendido vai passar por perícia. A Polícia Civil agora tenta identificar outros integrantes do grupo, mapear os imóveis transferidos de forma irregular e localizar novas vítimas. Famílias que desconfiem que um lote de parente já falecido foi parar no nome de outra pessoa podem procurar a delegacia da cidade onde fica o imóvel.

O que muda para você: como proteger o lote da família

O caso mostra um risco comum em Goiás, onde muitos lotes foram comprados em prestações décadas atrás e nunca chegaram a ser escriturados. Pela lei brasileira, só é dono de fato quem tem a escritura registrada na matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis. Contrato de gaveta e recibo de quitação ajudam a provar o pagamento, mas não transferem a propriedade. Alguns cuidados:

  • Confira a matrícula: peça no cartório de registro de imóveis uma certidão atualizada do lote para saber em nome de quem ele está;
  • Guarde os documentos originais da compra, como contrato, carnês e recibo de quitação;
  • Regularize: se o comprador já morreu, o lote entra no inventário, e a transferência para os herdeiros deve ser feita com orientação de um advogado ou da Defensoria Pública;
  • Vai comprar um lote? Desconfie de preço muito abaixo do mercado, de vendedor com pressa e de procurações feitas em cartórios distantes. Antes de pagar, puxe a certidão da matrícula e o histórico do imóvel.

Golpes envolvendo documentos e dinheiro têm sido alvo frequente da Polícia Civil na Grande Goiânia. Também nesta segunda-feira, a PCGO fez buscas em Aparecida contra suspeitos do golpe do falso advogado, que já causou prejuízos de até R$ 1 milhão em Goiás.

Tem um lote antigo na família que nunca foi escriturado? Compartilhe esta matéria com quem precisa saber e continue acompanhando o Uai Notícias Goiás para os próximos passos da investigação.

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